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Especiais Selectus nº 5869

Eficiência de mão de obra nas propriedades leiteiras é atingida em apenas 36% dos casos

Custos leite - Dados do Projeto “Campo Futuro”, uma parceria entre a CNA e o Cepea, demonstram a grande importância dos custos com mão de obra no fluxo de caixa da atividade leiteira.

Fonte: Cepea

Considerando-se a “média Brasil”, que envolve os estados de BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP, a mão de obra representa aproximadamente 15% dos custos das propriedades, chegando a superar 60% em algumas regiões. Mesmo com a grande relevância nos custos, na maioria dos levantamentos realizados pelo Projeto Campo Futuro não há indicação de eficiência na utilização da mão de obra nas propriedades.

Para mensurar a produtividade da mão de obra e analisar se está ou não havendo eficiência, deve-se comparar o volume de leite produzido diariamente (em litros) e o número de pessoas envolvidas na produção. Em sistemas com ordenha mecanizada, o referencial de eficiência é de 300 L/homem/dia. Dentre os 105 levantamentos realizados desde 2008 em regiões com predomínio de ordenha mecanizada, esse número só foi atingido em 36% dos casos. A propriedade típica de Macuco (RJ) é um exemplo de como a baixa produtividade da mão de obra pode afetar negativamente o resultado financeiro da atividade leiteira.

Nessa região, a produção modal apresenta pequeno volume diário e baixo nível de adoção de tecnologia. Lá a mão de obra contratada é o principal custo, comprometendo R$ 0,46/ litro, o que representa 34% da receita da atividade. Como a produção diária é baixa, o custo do funcionário contratado não é diluído, gerando grande impacto no fluxo de caixa. Essa condição também é detectada ao analisar a produtividade de 134 litros/homem/dia, valor 55% inferior ao referencial de eficiência.

No caso de Macuco (RJ) o custo do funcionário, de R$ 2.183,70 (salário de R$ 1.500,00 mais os encargos), é superior à margem bruta mensal de R$ 1.071,57 gerada pela atividade. Nesse cenário, o produtor pode escolher entre duas alternativas. A primeira envolve alterar o tipo de mão de obra empregado, focando na familiar. Assim, o proprietário desempenharia, além da gestão, tarefas operacionais. No curto prazo, essa poderia ser uma boa solução; porém, se não houver melhora na produtividade, a atividade não apresenta viabilidade no médio e longo prazos, uma vez que a margem líquida permaneceria negativa.

A segunda possibilidade é manter o funcionário contratado e aumentar a produção de leite por vaca, gerando ganhos de produtividade. Dessa forma, haveria um volume maior de receitas para diluir o custo da mão de obra contratada. É importante frisar que, em qualquer um dos cenários, as alterações necessárias passam pela adoção de tecnologia e devem focar no aumento de produtividade, mantendo os custos de produção equilibrados.

Eficiência de mão de obra nas propriedades leiteiras é atingida em apenas 36% dos casos

Figura 1 - Custo de produção, com destaque para a mão de obra (em Reais por litro), e produtividade da mão de obra (em litros/homem/dia) de propriedades típicas amostradas pelo projeto Campo Futuro entre 2017 e 2019. Elaboração: Cepea-Esalq/USP/CNA. Fonte: Projeto Campo Futuro CNA.

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