China – Para onde vai a demanda?
Fórmulas infantis/China – Ainda que a China esteja preocupada com o coronavírus, os consumidores não esqueceram o escândalo da Melamina de 12 anos atrás, quando 300.000 crianças foram intoxicadas por fórmulas infantis domésticas adulteradas com um produto químico de fabricação de plástico.
Seis crianças morreram com a substância utilizada por 22 empresas para aumentar, artificialmente, os níveis de proteína em testes de laboratórios. As penas de prisão perpétua e condenações à morte pelos principais responsáveis não foram suficientes para fazer o consumidor chinês esquecer. Mesmo porque, outros escândalos vieram depois, como o das vacinas em 2018. E o escândalo das fórmulas infantis adulteradas foram responsáveis pelo aumento de demanda por produtos importados.
Com apenas 25% das mães chinesas amamentando, o mercado de fórmulas infantis está estimado em US$ 32 bilhões daqui 3 anos. A fatia de consumidores que optarão por produtos importadas deve cair, e a previsão é de que fique abaixo de 50% em 2023.
É essa demanda que mantém os preços do leite em pó relativamente firmes, e que os analistas acreditam que a produção de leite será um dos setores que irá se recuperar mais rapidamente após a volta do comércio aos níveis normais. Isso ocorrerá principalmente para as empresas que possuem produtos “premium”, como a A2 que atende um mercado diferenciado.
Uma observação interessante é que a pressão pela importação de fórmulas infantis vem das grandes cidades, enquanto que as cidades menores apoiam as marcas domésticas. Isso pode ser explicado pela facilidade de comprar produtos importado, mesmo que a um preço maior, nas cidades grandes, ainda que existam empresas nacionais como a Feihe, que controla toda a cadeia, da produção do leite ao consumidor, e que tem o apoio das comunidades menores. O governo chinês está procurando incentivar a produção local para aumentar o mercado doméstico para 60% e diminuir a dependência da importação de produtos. No ritmo atual, o objetivo só será atingido entre 5 e 10 anos.

Será interessante observar os dados sobre a produção mundial de leite que serão publicados na próxima semana. Até o final de dezembro o cenário era positivo, exceto para a Austrália, onde a produção continuava em declínio. No entanto, desde então, tudo mudou. As secas da Austrália se transformaram em inundações, enquanto a Nova Zelândia passou a registrar os maiores déficits hídricos em partes importantes da Ilha Norte. O Hemisfério Norte passou a enfrentar eventos climáticos extremos. E, para fechar o quadro, o coronavírus vem causando cada vez mais, impactos nos mercados.
Até pouco tempo atrás, as consequências das negociações comerciais entre China e Estados Unidos eram nossas maiores preocupações. Hoje parecem ser nosso menor problema.
Felizmente a Fonterra confirmou esta semana a manutenção da faixa de preços do leite ao produtor entre NZ$ 7,00 e NZ$ 7,60/kgMS. Existem muitos contratos firmados antes do evento coronavírus, o que garante o preço do leite na fazenda, pelo menos por enquanto.
















