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Globalização E Mercosul Selectus nº 5645

Ameaça dos EUA à China pode elevar as exportações da soja brasileira

Guerra Comercial - O Brasil tem oportunidade de expandir as suas vendas de soja à China, caso o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, concretize ameaças feitas ao país asiático, no último domingo (5).

Fonte: DCI

Em rede social, Trump anunciou que irá elevar de 10% para 25% tarifas de importação sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, a partir dessa sexta (10).

Segundo o professor de economia da FAAP, Vinicius Rodrigues Vieira, a consolidação dessas ameaças indica, de forma mais imediata, a possibilidade de crescimento das exportações brasileiras de soja para a China, tendo em vista que o País divide o posto de maior fornecedor da commoditie com os EUA.

Porém, Vieira pondera que as declarações de Trump podem ter o intuito de fazer com que a China ceda mais nas negociações. Estava marcada para esta semana, inclusive, uma reunião entre os dois países que anunciaria um acordo com relação à guerra comercial. No entanto, diante das últimas declarações, a delegação chinesa passou a rediscutir a visita, que seria realizada sob o comando do vice-primeiro-ministro da China, Liu He.

“As ameaças também podem ter um caráter eleitoral, com Trump querendo angariar votos para 2020”, considera Vieira. Ele destaca que a pré-candidatura do ex-vice-presidente dos EUA durante o governo de Barack Obama, Joe Biden, foi bem recebida entre democratas.

Aumento de vendas

De qualquer forma, se as negociações entre China e EUA falharem, o professor da FAAP diz que o Brasil também poderá passar a negociar o aumento da exportação de outros produtos agrícolas e carnes nacionais para a China.

“Porém, esse esforço teria que ser liderado pelos ministérios da Economia e da Agricultura, que possuem uma agenda mais liberal, de maior abertura comercial. Sabemos que, tanto o Itamaraty, como o presidente [Jair Bolsonaro, PSL], não possuem muita diposição para negociar com os chineses”, reforça Vieira.

A avaliação do professor vai na linha das declarações da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, feitas ontem.

“A gente precisa saber se foi só um recado duro ou se isso vai se efetivar”, afirmou ela, após participar de reunião do Conselho Superior do Agronegócio, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na madrugada de hoje, a ministra embarcou para a Ásia, onde tentará abrir mercados para o Brasil, principalmente no setor de proteína animal. “Eu vou chegar lá em meio a toda essa negociação (China e EUA) e eu vou fazer uma leitura do que isso pode representar para o Brasil, principalmente para a soja, que é nossa grande preocupação”, afirmou. “Já a carne, os chineses terão que importar para suprir sua demanda interna e hoje já tem um alto preço, então o Brasil pode colaborar um pouco para que esses preços lá possam cair”, disse.

Turbulência nos mercados

O anúncio de Trump provocou volatilidade nos mercados globais ontem, depois de duas semanas de maior tranquilidade. As bolsas asiáticas operaram em queda, bem como os índices futuros em Nova York.

A Bolsa de Xangai foi a que teve o pior desempenho, com queda de 5,58%, para 2.906 pontos. Em seguida, foi a bolsa de Singapura que recuou 3%, para 3.291 pontos. Na Europa, também houve perdas, com queda do Índice DAX da Alemanha de 2,12%.

O diretor de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, analisa que esse estresse reflete uma preocupação do mercado de que a elevação das tarifas de importação possa se espalhar para outros países. “Essa situação viraria uma bola de neve, que seria muito prejudicial para o comércio global”, comenta Cavalcante.

Na avaliação dele, não há garantias de que Trump também não eleve tarifas para outras nações. Além disso, Cavalcante diz que, como a China tende a reduzir o seu lucro nas exportações para os EUA, o país asiático pode ser forçado a compensar suas perdas com elevação de imposto de importação a outras nações.

As ações da Vale, inclusive, registraram queda de 1,47%, ontem. A China é o principal mercado comprador da mineradora brasileira. Cavalcante também avalia que as ameaças de Trump podem representar uma pressão para que a China recue em suas demandas nas negociações comerciais.

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