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Globalização E Mercosul Selectus nº 5443

Brasil pode retaliar UE por causa de cotas agrícolas pós-Brexit

Retaliação - Exportadores agrícolas, incluindo o Brasil, poderão acabar por retaliar a União Europeia (UE) por causa da repartição que Bruxelas quer fazer nas cotas agrícolas europeias após o Brexit (saída britânica do mercado comum europeu). O Brasil tem interesse forte na questão, com várias cotas na UE, principalmente para açúcar, carnes bovina e de frango, envolvendo negócios de dezenas de milhões de dólares.

Fonte: Valor Econômico

Em certos acordos comerciais, países normalmente oferecem alocação de cotas para um parceiro exportar determinado volume, com alíquota menor, num comércio administrado para proteger o produtor local.

A expectativa da UE é que o Reino Unido vai deixar de ser membro da UE a partir de 30 de março de 2019, mas o acordo de saída atualmente em negociação ainda está longe de ser concluído.

Na semana passada, os líderes da UE autorizaram a Comissão Europeia, o braço executivo do bloco, a abrir negociações formais com membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a repartição das cotas.

O Valor apurou que, em encontro realizado nesta semana, em Genebra, representantes da UE e do Reino Unido reafirmaram a exportadores agrícolas o plano de repartir as cotas levando em conta o consumo britânicos e dos outros 27 países comunitários no período 2011-2015, e sem expandi-las, depois de 2019, quando se espera a concretização do Brexit. No entanto, os exportadores mostram-se insatisfeitos, pelo risco de fatias de mercado serem perdidas, tanto na Europa como no Reino Unido.

Toda exportação envolverá o custo de cruzar uma fronteira (papelada, transporte etc.). Esse é o aspecto central de discussão no Reino Unido sobre ficar fora, ou não, do mercado comum europeu. O mesmo acontece com os exportadores brasileiros. Quem antes exportava 100 numa única operação, vai ter agora que operacionalizar duas operações distintas para poder exportar o mesmo volume.

Com a repartição das cotas, o exportador perde a flexibilidade de alocar a cota de acordo com condições de mercado mais favoráveis na UE ou no Reino Unido. Além disso, a repartição, como querem UE e Reino Unido, "congela" uma situação do triênio 2011-2015, que pode não ser a mais vantajosa e nem representa mais a realidade dos fluxos de comércio hoje, na avaliação de exportadores.

Por isso, o Brasil e outros exportadores, incluindo EUA, Argentina, Canadá, Nova Zelândia, Tailândia e Uruguai, vão certamente querer compensações por eventual perda de mercado, conforme as regras da OMC.

A UE diz, de um lado, que está pronta a negociar, mas de outro já avisou que não vê argumentos para justificar o pagamento de compensações aos parceiros. Se esse cenário persistir, só restará aos exportadores retaliar a UE, até por questão de princípio. Além de cotas específicas, o Brasil faz um bom número de exportações através de cotas que são atribuídas a todos os países. 

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