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El Niño e redução de geleiras provocam seca na Bolívia

Seca - A Bolívia enfrenta, há duas semanas, sua pior seca desde a década de 1980. Chove apenas 10% do que é normal nesta época do ano. O governo do país declarou situação de emergência nacional, pois falta água potável em várias cidades, principalmente na capital, La Paz.

Fonte: Rádio França Internacional

Essa decisão permitirá aplicar fundos inicialmente reservados para outras áreas na solução da crise. O ecologista equatoriano Patricio Cabrera, da Fundação Futuro Latino-Americano, explica o que está por trás da forte estiagem.

"As causas naturais estão relacionadas aos fenômenos climáticos, ao aumento da temperatura, ao desmatamento, à falta de cuidado com as fontes de água. Normalmente, essa é uma zona que sofre o impacto da conversão do uso do solo para a agricultura. Sabemos também que é uma zona que sofre muitos impactos com a diminuição das geleiras. Cada um desses fatores é parte dessa complexa situação natural de falta de precipitação" disse.

El Niño

O fenômeno El Niño, que altera a temperatura da água do Oceano Pacífico, com profundos efeitos no clima, também está entre os fatores que provocaram a grande seca na Bolívia.

"Sabíamos desde o início do ano que o fenômeno do El Niño provocaria impactos sérios em 2016. O que os nossos técnicos nos disseram é que em algumas zonas haveria o aumento das precipitações, como na parte norte do Pacífico. Por exemplo, eram esperadas inundações no Equador. Mas, em outras zonas, como na Bolívia e em algumas regiões do Chile, ia acontecer o contrário, a possibilidade de seca e falta de chuva. No final do primeiro semestre se dizia que o El Niño não impactaria tanto o clima como previsto no início do ano. Porém, no final, ele teve um forte impacto em regiões como La Paz", afirmou Patricio Cabrera.

Ele, que tem mestrado em Ecoeficiência, critica o governo da Bolívia pela falta de ação agora e no passado, pois, explica, era possível prever a situação.

"Na verdade, havia toda essa quantidade de dados. Mas, além disso, não se trata de uma situação para a qual o governo deveria ter tomado decisões apenas este ano. Me parece que há elementos que fazem com que essa situação seja crítica agora, como a falta de planejamento e de gestão adequada das bacias hídricas no passado. O problema tem a ver com a falta de informação para tomar decisões. Deveriam ter feito um balanço hídrico para adequar a oferta à demanda em La Paz, sabendo que o volume de água dos rios está diminuindo. Esses não são processos que ocorrem da noite para o dia."

Ajuda do Chile

O presidente Evo Morales anunciou a formação de comissões ministeriais encarregadas da perfuração de poços e da conexão dos sistemas de água potável com novas fontes de água, com o objetivo de aliviar o drama nas cidades de Oruro, Potosí, Cochabamba, Sucre e La Paz. Nesta última, cerca de 400 mil pessoas têm acesso mínimo ou nenhum acesso à água.

"Creio que a situação vai piorar. Porque, com a falta de água, vão começar a aparecer problemas de saúde, de salubridade e de produção", diz Cabrera. O governo do Chile ofereceu na semana passada ajuda humanitária ao governo boliviano para enfrentar a situação de emergência.

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