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EUA: o que acontece com a maior economia do mundo

Economia/EUA – Os Estados Unidos da América (EUA) se encontram em um momento muito complicado economicamente. Há mais de um ano que a inflação interanual se desalinhou do patamar de 2% característico das nações desenvolvidas, e há mais de seis meses que sua existência abandonou a descrição de transitória que inicialmente avaliou Jerome Powell, para transformar-se em um assunto estrutural e de relevância para o Banco Central dos EUA (Fed).

Fonte: 1807euainfl.jpg / Photo by regularguy.eth on Unsplash
EUA: o que acontece com a maior economia do mundo

E ainda que nos últimos 10 anos tenha excedido 2% em quatro ocasiões, 2021 foi o primeiro ano em que superou 4% desde 1991. Sem dúvida, 2021 parece ser emblemático diante do que poderá ser o final de 2022.

É evidente que atualmente ocorre a combinação de fatores muito difíceis de combater. Por um lado, estão sendo observadas as consequências dos maiores estímulos fiscais da histórica norte-americana, liberados por ocasião do surgimento da Covid-19, que em conjunto com políticas de flexibilização, fizeram o saldo do Tesouro saltar de US$ 4,2 bilhões em fevereiro de 2020 para US$ 9 bilhões em março de 2022.

Por outro lado, também sofre as consequências da guerra russo-ucraniana que limitou a oferta de commodities energéticas e alimentares, disparando os preços a valores nunca vistos desde 2008 em muitos casos. Como se isso não fosse suficiente, o mercado de trabalho norte-americano se encontra com taxas de participação muito baixas ao mesmo tempo em que se vê uma grande demanda de mão de obra por parte das empresas.

Como sempre ocorre, quando forças do mercado se encontram desalinhadas, a acomodação vem via preços. Neste caso o preço são os salários, que crescem em busca de conseguir os funcionários necessários pelas corporações. E ainda que o aumento de salários possa ser algo positivo, não deve ser desconsiderado o fato de que representam também boa parte dos custos das empresas, e por isso é transferido para os preços. Em outras palavras, a elevação generalizada dos salários está gerando maior inflação.

Aqui temos um grande problema: se o aumento em salários se transfere para os preços, e, simultaneamente, há um mercado de trabalho forte onde a demanda excede a oferta, as exigências salariais sobem buscando compensar o incremento do custo de vida, então estão ingressando em um ciclo sem fim, onde salários e inflação buscam superar-se um ao outro. Efetivamente esse é o problema a ser atacado pelo Fed com urgência: a espiralização destas duas variáveis.

E como fazê-lo? Esfriando a economia. Sua intenção é frear o crescimento econômico de forma que a perda parcial da busca por mão de obra, dê tempo para a oferta alcançar a demanda. Os instrumentos selecionados para atingir este objetivo foram: flexibilização quantitativa e elevação das taxas de juros. Ainda assim, como ocorre em ciências como a economia, os efeitos das políticas nem são diretos, nem imediatos, nem específicos.

Que efeitos poderíamos dizer que surtiram as decisões adotadas?

Até o momento, não o buscado para a economia real. No dia 13 de julho os agentes econômicos se surpreenderam ao ver uma inflação interanual para junho que alcançou 9,1%, superando em 0,3% as estimativas do mercado e em 0,5% a inflação interanual de maio, passando para a histórica como o registro mais alto dos últimos 41 anos.

Além disso, apesar dos riscos de que a economia estadunidense entre tecnicamente em recessão, o mercado de trabalho continua mostrando firmeza. O último dado de emprego mostrou que houve a criação de 372.000 novas vagas em junho, a taxa de desemprego permanece em níveis baixos de 3,6% e os salários tiveram crescimento intermensal de 0,3%. Portanto, Powell está longe de esfriar o mercado de trabalho.

A política monetária mais restritiva teve, sim, impacto nos mercados financeiros. Embora não possamos atribuir a total queda dos principais índices norte-americanos às medidas, podemos dizer que a elevação das taxas de juros castigaram de forma transcendental, sobretudo, considerando que seu ponto de partida foi perto de 0%.

No decorrer de 2022, os três principais índices ficaram no campo negativo, destacando-se o Nasdaq Composite que caiu 27,7% na comparação anual, seguido pelo S & P500 que registrou baixa de 19,8% e fechando com o Dow Jones Industrial que contraiu 14,7%. Um desempenho no primeiro semestre que é o pior registrado desde 1970.

Como estes dados econômicos impactarão o segundo semestre?

O inesperado dado da inflação pressionará o Fed para mover-se com maior velocidade e determinação se pensa em manter-se em linha com seu discurso de conter a elevação de preços a qualquer custo. Assim, existe a possibilidade de haver uma nova elevação das taxas de juros, que uma semana atrás era de 7,6%. Isso não será sem custos consideráveis, com 38% dos analistas de mercado acreditando na possibilidade da economia estadunidense entrar em recessão nos próximos 12 meses. A oficialização de uma recessão ficará nas mãos do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, que mantém o monitoramento constante dos ciclos econômicos dos EUA.

Em resumo, vemos um futuro próximo desafiador, onde será chave descobrir até onde o Fed é capaz de ir e ficar atento à saída dos distintos indicadores econômicos para analisar sua evolução, gerar conclusões sobre o rumo da economia e tomar as decisões pertinentes. Não esqueçamos que o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica a última vez que anunciou uma recessão, o fez um ano depois de seu início (em 2008), sendo pouco prudente descansar esperando o veredito.

A visão de vários analistas e que requer a máxima atenção, é um potencial giro do Fed se as circunstância se agravarem velozmente. Neste contexto, uma providência para reverter a situação poderia ser uma guinada na política monetária, gerando condições favoráveis para um rali que poderia ser aproveitado para negociar dívidas.  

Acesse aqui a matéria na íntegra

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