USMCA – DFC detecta problemas para o setor lácteo
USMCA – O presidente da entidade que representa os produtores de leite do Canadá, a Dairy Farmers of Canada (DFC), Pierre Lampron, disse que o Canadá precisa olhar os detalhes do novo tratado de livre comércio que está sendo proposto com os Estados Unidos e o México (USMCA), bem como avaliar o impacto na indústria de laticínios canadense.
O Premier do Quebec, François Legault, pediu ao bloco da região que assegurassem a aprovação urgente do USMCA, “é o melhor que atende os interesses de Quebec”, disse.
A DFC diz que se o acordo for aprovado haverá a transferência da produção equivalente a 520 fazendas do Quebec para os Estados Unidos. E, esta produção norte-americana irá ocupar o espaço da atual produção doméstica utilizada para o processamento dos lácteos vendidos no Quebec e que também são distribuídos para outras regiões do Canadá. Além disso, as exigências para a produção desse leite não seguirão os mesmos padrões que os produzidos no Canadá, como a ausência de hormônios artificiais de crescimento. O acordo negociado pelo governo Trudeau também estabelece limites restritivos às exportações de produtos lácteos canadenses. Se esses limites forem excedidos, penalidades significativas serão acionadas, o que teria o efeito de limitar a competitividade dos lácteos canadenses no mercado internacional. Isso se aplicaria às exportações para todos os países, não apenas no âmbito do USMCA, e estabelece um perigoso precedente para futuros acordos comerciais, alertou o DFC.
“O Sr. Legaut certamente não considerou que, em um sistema parlamentar, todos os projetos de lei, incluindo aqueles destinados a ratificar acordos internacionais, estão sujeitos a um processo legislativo para ser estudado, e é importante salientar que não atinge apenas a cadeia láctea, mas também os trabalhadores de alumínio, que devem se submeter a esse acordo”, lembrou Lampron.
“O Sr. Legault precisa entender que, uma vez estabelecido esse precedente, outros setores poderão ser submetidos a medidas similares em futuros acordos comerciais. Se as preocupações dos produtores e trabalhadores do setor de alumínio não forem suficientes, defender os interesses futuros de todos outros setores exportadores deveria ser motivo suficiente para o Premier Legaut reconsiderar seu pedido ao bloco – e o que é o melhor interesse de Quebec”.
O acordo pode ser adaptado às principais disposições que afetam o setor lácteo, sem comprometer sua integridade por meio de vários meios disponíveis para as partes, disse o DFC.
As 5.120 fazendas leiteiras de Quebec geram um valor agregado de mais de CN$ 2,6 bilhões (US$ 1,97 bilhões). Em Quebec, a produção e processamento de leite mantém 83.000 empregos diretos e indiretos e contribui com CN$ 6,15 bilhões (US$ 4,7 bilhões) para o Produto Interno Bruto (PIB) do Canadá. A cadeia láctea paga CN$ 1,3 bilhões (US$ 1 bilhão) de impostos.
















