Até setembro, RS exporta menos US$ 1,1 bilhão
Exportação/RS - Mais sujeito às turbulências globais do que a média nacional, devido à elevada participação das exportações no faturamento de diferentes empresas e setores, o Rio Grande do Sul amarga queda de 8,2% nos embarques externos nos primeiros nove meses deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2018.
De janeiro a setembro de 2019, os gaúchos venderam para o exterior US$ 12,4 bilhões, contra US$ 13,5 bilhões do ano passado - redução de US$ 1,1 bilhão. Os dados são da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag).
O levantamento foi divulgado ontem, dentro do Boletim de Conjuntura do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Seplag, publicado pela primeira vez e que deverá ser trimestral. Considerando a exportação de plataformas de petróleo sob regime fiscal aduaneiro especial, a queda seria de 16,2% e, em valores, chegaria a US$ 2,6 bilhões. Isso porque, de acordo com Tomás Torenzi, pesquisador do DEE, essa transação ocorre apenas contabilmente, mas sem o ingresso de recursos, e, por isso, pode ser desconsiderada em análises da economia real, mas não dos cálculos oficiais.
A maior parte da queda nos negócios reais veio da retração de 21,3% das vendas para a China, cuja compra de soja caiu de US$ 3,94 bilhões para US$ 2,55 bilhões no período. Também houve recuo significativa para a Argentina, generalizado em termos de produtos, com redução de US$ 1,242 bilhão para US$ 732,8 milhões (-41%).
Enquanto o mercado asiático diminuiu a demanda por soja por conta do abate em massa de animais devido à peste suína africana (e também aos elevados estoques feitos em 2018), os Estados Unidos incrementaram as compras de celulose, de papel e de tratores, de acordo com a coordenadora do estudo e chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa
Sulzbach. Para a economista, o peso das exportações para o Estado é bem acima da média nacional, porque há, no Rio Grande do Sul, muitas empresas que têm uma parcela significativa de suas vendas para fora, assim como para o agronegócio.
"Como a China vem abatendo milhares de suínos devido à peste africana, a demanda pelo grão para alimentar os animais foi drasticamente reduzida. Também contou na queda o fato de o país asiático ter feito grande estoque de segurança em 2018, elevando a base de cálculo do ano passado", explica Vanessa.
Como os Estados Unidos entraram em guerra comercial com o gigante asiático e também eram fornecedores do mercado chinês, o país intensificou a aquisição de soja brasileira no ano passado. O cenário, agora, é incerto, mas pode ter dois caminhos nos quais o Rio Grande do Sul ainda teria como contar com certa recuperação, diz Vanclei Zanin, analista do DEE. O pesquisador avalia que, se governo chinês decidir retomar a criação de suínos após o controle sanitário total, a compra de soja para ração pode ser retomada com intensidade. Por outro lado, caso a China decida não recriar o plantel e optar por seguir comprando proteína animal de outros países, como já vem fazendo, o Estado pode ganhar exportando mais carnes.
"Os chineses acabaram de habilitar diversas plantas para exportação de frango, por exemplo. Isso pode ajudar a compensar a queda nas vendas de soja. Como essas habilitações ainda são recentes, as vendas não começaram, mas pode ajudar a aliviar um pouco a queda nas exportações", ressalta Zanin.
Enquanto isso não ocorre, o Rio Grande do Sul se beneficiou, por exemplo, do aumento das vendas da CMPC, que ampliou sua planta fabril no Estado recentemente e vem expandido seus embarques para os Estados Unidos há dois anos, de acordo com a estudo do DEE. Nos primeiros nove meses deste ano, as exportações para os EUA cresceram 19,5%, e as vendas de celulose e papel, como um todo, tiveram alta de 65,5%. Segundo a coordenadora do departamento, além disso, o mercado norte-americano também passou a absorver tratores que antes eram enviados à Argentina. Entre os produtos gaúchos com alta nas exportações também se destacaram as vendas de fumo, com incremento de 33,3%.
Os principais números das exportações gaúchas
(Entre janeiro e setembro de 2018 e 2019)
Agropecuária:de US$ 4,3 bilhões para US$ 2,99 bilhões (-30,7%)
Produtos alimentícios: de US$ 2,2 bilhões para R$ 2,1 bilhões (-4,7%)
Produtos do fumo: de US$ 1 bilhão para 1,3 bilhão (33,3%)
Produtos químicos: de US$ 1,23 bilhão para US$ 1,2 bilhão (-4,2%)
Celulose e papel: de US$ 0,7 bilhão para US$ 1,14 bilhão (65,5%)
















