Consumidor brasileiro busca por marcas mais sustentáveis
Sustentabilidade - O mercado brasileiro está em transformação. Diante da grande competitividade e inúmeras opções, o consumidor está se voltando cada vez mais para marcas que transmitam valores equivalentes aos seus.
Essa identificação a nível ideológico vem de uma maior conscientização do público para questões da atualidade: a exemplo da sustentabilidade, que envolve tanto a preocupação com o meio ambiente quanto estilos de vida e hábitos alimentares, como o veganismo e o vegetarianismo.De acordo com a diretora executiva do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), Patricia Cotti, essa tendência poder ser observada principalmente nas gerações mais jovens, a Z (nascidos entre 1997 e 2010) e a Alfa (a partir de 2010). Cerca de 60% deles têm preocupação com o meio ambiente, no entanto, o impacto disso ainda não pôde ser sentido em seu potencial total na economia.O motivo é porque muitos desses jovens ainda não têm renda própria, não participando livremente do mercado consumidor. Contudo, eles já conseguem influenciar as gerações mais antigas a repensar as decisões de compras – que é o que podemos observar hoje, com o aumento da penetração do comportamento consciente entre os adultos. Porém, a sustentabilidade é uma questão de mudança cultural, o que demanda mais tempo.
Para os próximos cinco anos, por exemplo, Patricia já prevê uma maior procura por empresas sustentáveis, já que mais jovens entrarão no mercado e poderão ser tomadores de decisão propriamente. Com esse movimento, os negócios voltam a atenção para a atitude, buscando impulsionar vendas. Mas esse não deve ser o principal motivo para adaptar as operações. “Até porque o aumento de vendas não é diretamente relacionado e geralmente não ocorre em curto prazo”, alerta a diretora. O que acontece é que esse tipo de posicionamento atrai os consumidores, melhorando o engajamento pessoal com a marca, que em longo prazo contribui para um crescimento na margem de vendas.
Mas a sustentabilidade não aumentaria os custos?
Do ponto de vista das empresas, existe um grande desafio de adequação pela frente. Processo complicado porque exige toda uma mudança na logística da companhia para evitar desperdício de água, emissão de gases tóxicos e descartes desnecessários, por exemplo.Neste sentido, as novas empresas que estão surgindo agora e já nascem sustentáveis têm um grande potencial de crescimento, podendo tomar uma grande fatia do mercado – prevê a diretora. “Por outro lado, as organizações antigas que não conseguirem se adaptar irão perder espaço”, destaca. A notícia boa é que a sustentabilidade não necessariamente implica em custos adicionais. Inclusive, a medida pode até reduzir despesas – se for trabalhada corretamente desde a origem.
Hoje, a produção das indústrias – de forma geral – é feita em grande escala, visando alta produtividade em uma cadeia com poucos fabricantes. Isso faz com que o processo ocasione muitas perdas, com falhas operacionais e necessidade de descarte de produtos. Este desvio na produção acaba gerando mais gastos para a empresa, que tem que lidar com o processo de logística reversa.Porém, se a empresa fizer uma parceria com a indústria e criar uma rede de produção concisa de modo a evitar perdas, isso na verdade diminuiria os custos. Já que, segundo a executiva, a implantação de medidas sustentáveis não traz custos tão expressivos se comparada com o desvio das perdas. Mas ela destaca ainda que esta é uma realidade ainda bem distante do mercado brasileiro, onde existe disputa entre fabricantes e varejistas. No entanto, o contrário também é verdadeiro. O custo de uma empresa que negligenciar essas mudanças irá aumentar, já que não poderá atender a demanda da população, acumulará estoque e terá alta nos preços.
Segmento alimentar lidera a transformação
Segundo a diretora, o segmento de alimentação – de restaurantes e supermercados – está se destacando em relação aos demais quanto à sustentabilidade. Justamente por representar a primeira demanda do consumidor. Além da redução de plástico, com estímulo ao uso de sacolas reutilizáveis, os supermercados têm feito uma gestão de categorias que privilegia o sustentável – a exemplo das seções dedicadas a produtos orgânicos. Outra forma de abraçar a ideologia que tem sido muito adotada recentemente é mostrar a origem dos produtos da loja, com transparência, através de tecnologias de rastreamento. Além disso, é comum que grandes varejistas – como o Carrefour - façam parcerias com produtores ou fazendas de pequeno porte, movimentando e valorizando a economia local. Hoje, lojas sustentáveis trabalham muito com o reuso de materiais, iluminação, reutilização de água e coleta de resíduos. Todos os grandes supermercados, por exemplo, tem ao menos um modelo de loja que siga essas premissas. “A questão é transformar o supermercado em algo que faça parte do estilo de vida do consumidor e atenda sua rotina e demandas”, conclui Patricia.
















