Dificuldade em repassar preços comprime margens na cadeia
Preços comprime margens - Para o produtor de leite, o primeiro semestre de 2019 foi de preços acima da média dos últimos anos. Essa situação, somada a um cenário de custos de produção mais estável, estimulou a produção nacional.
Dados do IBGE indicam que a produção brasileira inspecionada no semestre cresceu 5,0% ─ 571 milhões de litros ─ em relação ao mesmo período de 2018. Somando a esse volume o balanço entre importações e exportações, tem-se que a disponibilidade de leite aumentou 5,6% nos primeiros seis meses do ano. Entretanto, no início do segundo semestre a situação começou a mudar. A queda expressiva do preço ao produtor em julho, foi seguida de nova redução, desta vez em menor intensidade, em agosto. Isso fez com que esses dois últimos meses registrassem preços reais menores do que os recebidos nos mesmos meses de 2018. De toda forma, na média do ano (janeiro a agosto), os preços ao produtor ainda estão 6% acima do patamar para o período, sendo o maior valor médio desde 2011.

No atacado, os preços mensais do UHT e da muçarela seguem sem grandes alterações. Na média mensal, o UHT variou entre R$2,18 e R$2,33 e a muçarela entre R$17,63 e R$18,40, desde o início do ano. Ao observar o comportamento de preços no mercado diário de São Paulo é visível que as valorizações no UHT não têm mostrado grande sustentação. Em 2019, já foram três movimentos de valorização nas cotações do atacado que se sustentaram por pequeno período, sendo seguidas de quedas. A última valorização, iniciada em agosto, quando o UHT saiu de R$2,32 para R$2,58, já perdeu força, com as cotações recuando nos últimos dias. O mercado Spot, que valorizou em agosto, também já recuou na primeira quinzena de setembro. No varejo, esse cenário de valorização não ocorreu, sendo registradas reduções no preço do UHT em julho (- 0,8%) e agosto (- 0,3%). Esse último fato demonstra a dificuldade atual do consumidor em absorver aumentos de preços em função da crise econômica pela qual o Brasil atravessa. Essa situação é reforçada por dados da Nielsen que mostram que os atacarejos ─ os também chamados “cash and carry”), que trabalham com menos opções de produtos e com preços menores ─ têm aumentado sua participação nas vendas de lácteos. Esse canal já é responsável por 25% do volume de vendas de leite líquido e de 29% de leite em pó. De toda forma, esses movimentos recentes de preços ao longo da cadeia permitiram à indústria recuperar um pouco de margem de comercialização perdida nos meses anteriores. Ainda assim, é importante citar que essas margens continuam bem abaixo da média histórica. Por outro lado, o produtor enfrenta queda de preços do leite e aumento recente no custo de concentrado, principalmente farelo de soja. Nesse cenário, a dificuldade em repassar preços para o consumidor está comprimindo as margens em toda a cadeia produtiva. Na balança comercial, o volume importado tem se mantido estável nos últimos três meses, mas abaixo do registrado nos mesmos meses de 2018. No momento, com a redução nos preços internos do leite, valorização do produto principalmente na Argentina e a desvalorização do real diante do dólar a competitividade das importações está reduzida. Assim, não se espera a entrada de maiores volumes de lácteos no País.
















