Oferecer proteínas de transporte é a chave para melhorar fórmulas infantis
Leite materno – Pesquisadores identificaram e descreveram a função chave das proteínas de transporte que contribuem para o desenvolvimento desde cedo de uma microbiota intestinal saudável.
Os compostos de açúcar do leite materno desempenham um papel fundamental no desenvolvimento de uma população saudável de bactérias do intestino, contribuindo para a maturação do sistema imunológico dos bebês. Em um novo estudo, pesquisadores do Departamento de Bioengenharia da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) e da Universidade de Kyoto, no Japão, construíram uma estrutura para identificar e descrever a função das principais proteínas de transporte que intermediavam a captação de nutrientes do leite materno por um importante grupo de bactérias no intestino da criança.
Essas proteínas transportam oligossacarídeos do leite humano, ou HMOs, que são açúcares complexos produzidos pela mãe para nutrir importantes bifidobactérias associadas a um desenvolvimento saudável.
“Nosso trabalho permite estabelecer claramente a ligação entre o tipo de açúcar do leite materno e as bactérias promotoras da saúde intestinal da criança. Nosso trabalho permite mapear o melhor açúcar do leite materno para alimentar as bactérias intestinais benéficas para a saúde infantil, com base nas proteínas de transporte”, diz o professor Maher Abou Hachem da DTU, que conduziu o estudo com a colaboração do professor Takane Katayama da Universidade de Kyoto.
Mahr Abou Hachem acredita que essa linha de pesquisa será um guia para a produção de fórmulas infantis que deverão sintetizar novos açúcares para serem adicionados de forma racional, para assegurar que crianças alimentadas com as fórmulas lácteas recebam açúcares benéficos similares aos recebidos pelas crianças que são amamentadas.
A pesquisa sobre os açúcares do leite humano foi publicada no renomado jornal Science Advances e foi realizada com a colaboração de pesquisadores especialistas e microbiologia, química de proteínas e carboidratos, além de bioinformática. Uma parte do estudo, realizada no Japão, envolveu análise de bactéria fecal e do leite materno aos pares mãe-bebê e um grupo de controle de adultos humanos, enquanto a descrição molecular das proteínas de transporte e suas preferências de HMO foi realizada na Dinamarca.
O formação da microbiota intestinal inicia no nascimento e a população de bactérias é desenvolvida até a idade de 2-3 anos. Durante esse período crítico, antes da maturação do sistema imunológico, grandes mudanças podem ocorrer na microbiota intestinal.
Depois de desmamar, o sistema imunológico é programada por uma estrutura específica da população intestinal, que irá persistir por toda a vida adulta.
Maher Abou Hachem enfatiza que está bem documentado que bifidobacteria desempenha papel fundamental no desenvolvimento da saúde da microbiota intestinal da criança. Uma boa constituição de bactérias na infância reduz os riscos de desordens imunológicas e metabólicas, como alergias, asma, diabetes, obesidade e uma variedade de outras doenças.
“É crucial o estabelecimento correto de microbiota intestinal desde o início da vida da criança. Por outro lado, fatores que interferem no desenvolvimento da microbiota “correta” estão associados a distúrbios de saúde ao longo da vida. Se pegarmos os organismos errados desde cedo e nos acostumarmos a eles, e se forem aceitos como parte da microbiota, será muito difícil selecionar novamente as bactérias normais e benéficas depois”, diz Maher Abou Hachem.
















