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Especiais Selectus nº 5733

Nutrição personalizada, como funciona?

Nutrição personalizada – Tecnologias sob medida inspiraram abordagens mais proativas no que se refere à saúde e bem-estar – permitindo que as pessoas acompanhem e gerenciem suas atividades físicas, peso, sono, pressão sanguínea e dieta.

Fonte: Food Processing – Tradução livre: Terra Viva

No entanto, a nutrição personalizada ainda não foi totalmente compreendida. Embora seja do senso comum que uma dieta “limpa” e exercícios frequentes podem levar à perda de peso e melhor saúde, embora uma receita única pode não funcionar para todos. Algumas pessoas podem precisar de mais cálcio, enquanto outras de mais proteínas. Cada corpo é diferente e uma análise aprofundada pode fornecer um diagnóstico mais claro sobre o que é necessário, por exemplo, para perder peso, ou melhora a saúde e bem-estar.

Como funciona a nutrição personalizada?

De acordo com o fundador e diretor da Expert Nutraceutical Advocacy Council (ENAC), Sandeep Gupta, estamos entrando em uma era onde a ciência e a tecnologia pode ajudar a identificar quais alimentos podem melhor ajudar no controle de peso e na saúde em geral. “Não muito tempo atrás, acreditávamos que a genética era determinante e a realidade biológica”, diz Gupta.

“O surgimento da epigenética, que é o estudo de mecanismo que ativam e desativam genes, esclareceu que os nossos genes são fluidos e podem ser modelados por vários fatores internos e externos”.

As companhias de nutrição personalizada coletam e analisam a biodata – como a altura, peso, DNA, níveis de nutrientes no sangue e a composição do microbioma intestinal – para personalizar uma nutrição que ajude as pessoas a atingirem metas de saúde, seja no controle de peso ou na prevenção de doenças.

Europa e Estados Unidos estão na vanguarda da nutrição personalizada, no entanto, o segmento também cresce na Ásia, em países desenvolvidos como o Japão, a Coreia do Sul e Cingapura.

Alguns exemplos da Ásia incluem o Imagene Labs de Cingapura, que formula suplementos e soluções de condicionamento físico baseado em DNA; e a parceria de Nestlé Japão com os laboratórios japoneses de DNA, Genesis Healthcare e Halmek Ventures, projetados para fornecer consultoria nutricional personalizada para idosos. A parceria já recebeu mais de 100.000 participantes desde seu anúncio em maio do ano passado.

Os países menos desenvolvidos da Ásia ainda não aderiram à tendência dado o elevado custo dos programas de nutrição personalizados, com valores que podem chegar a centenas ou até a milhares, disse o analista da Lux Research, Thomas Hayes.

Objetivos e desafios da nutrição personalizada

Prevenção de doenças é o objetivo principal da nutrição personalizada. A diabetes tipo 2, que pode ser prevenida com a melhora da dieta, é uma doença que Hayes espera, seja eliminada com a nutrição personalizada.

Diabetes (tipo 1 e 2) afetam perto de meio bilhão de pessoas em torno do mundo e tem custo global de US$ 1 trilhão por ano, a maior parte gasto com problemas decorrentes de complicações da diabetes, em vez de tratar a própria doença, explica Hayes.

“A combinação do aumento da prevalência da doença e dos custos per capita sinaliza que novas soluções são necessárias para suplementar, ou substituir a prevenção tradicional da diabetes e as ferramentas de gerenciamento”, explica.

A nutrição personalizada pode ajudar, detectando qualidades genéticas daqueles que estão predispostos a desenvolver a diabetes, disse Hayes.

Como tal, vemos a genética como uma entrada de dados necessária na elaboração da nutrição personalizada e produtos para a prevenção da diabetes”, acrescentou.

Mas os principais desafios para sua adoção permanecem, e é preciso haver mais evidências científicas sobre o que funciona e o que não funciona. Isso também justificará os custos mais altos envolvidos na personalização dos planos de nutrição, disse Hayes.

Gupta concorda com Hayes. “Pode ser desafiador projetar nutrição personalizada eficaz e eficiente para diferentes indivíduos e sincronizar a tecnologia com parâmetros das preferências alimentares individuais, faixa etária, condições de saúde e assim por diante. Fazer isso é caro e as empresas podem enfrentar restrições de crescimento”, afirmou Gupta. Além disso, os dados precisam ser extra seguros para garantir que não acabem em mãos erradas, disse Gupta.

Para resolver essas questões, Hayes recomenda a parceria de startups em nutrição personalizada com grandes corporações para diluir os custos elevados da pesquisa e personalização.

Gupta e Hayes falarão sobre nutrição personalizada na Conferência Vitafoods Ásia deste ano, no dia 25 de setembro, em Cingapura. A conferência estará focada em moldar a indústria de alimentos para uma saúde ideal por meio da inovação e ciência.

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