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Especiais Selectus nº 5729

A ordenha da vaca chilena da Fonterra está secando

Fonterra – Com a redução de ativos na China, Brasil, Venezuela e Nova Zelândia, a pergunta que fica é: Quais outros ativos também precisa ser revistos? Já foram dadas todas as más notícias? As duas grandes questões relatadas estão relacionadas com a Austrália e o Chile.

Fonte: interest.co.nz – Tradução livre: Terra Viva

São duas bacias de leite no exterior que não se enquadram na estratégia emergente da Fonterra.

Recentemente foi feita a análise sobre a desvalorização em NZ$ 70 milhões nos ativos da Austrália, e provavelmente serão necessárias outras. Desde então, estão sendo confirmadas problemas com ativos da Fonterra ociosos em Victoria. Os problemas estão crescendo a cada mês. Em julho, a captação mensal de leite na Austrália foi de 5,4 milhões de quilos de sólidos, enquanto dois anos atrás era de 8,3 milhões.

A ficando está perdendo competitividade para conseguir leite em Victoria, pagando mais do que pode e bem acima da remuneração que é dada aos produtores da Nova Zelândia, criando grandes desequilíbrio.

No entanto, o quadro da Fonterra no Chile guarda muito similaridade com o da Austrália, embora com detalhes diferentes. O fundamental elemento em comum é que a Fonterra continua cometendo erros ao se afastar de casa, não conseguindo ter uma compreensão adequada do ambiente em que trabalha.

O ponto de partida do Chile remonta aos dias da NZ Dairy Board. A Fonterra herdou ações majoritárias da Soprole, na época a empresa de laticínios líder do mercado chileno. Ao mesmo tempo a Fonterra adquiriu também o controle acionário da Prolesur. Enquanto a Soprole se concentrou em produtos de consumo produzidos e processados nas partes centrais do Chile, a Prolesur foi para o Sul, na região de Los Lagos onde estabeleceu foco na elaboração de commodities como leite em pó, manteiga e mais recentemente em queijos. Uma produção em região de elevada pluviosidade, grande parte em torno de Osorno.

Em 2009 a Fonterra aumentou a sua participação na Soprole, adquirindo 99% das ações, e 86% das ações da Prolesur. E assim está até hoje. Os ativos da Fonterra no Chile foram avaliados em NZ$ 600 milhões, em 2009. Preliminarmente, a Soprole e a Prolesur operam como uma empresa. Os lucros da Prolesur são incorporados à Soprole, e a partir daí, para a Fonterra. Mas, isso não é tudo.

A Fonterra incentivou os fornecedores da Prolesur a concentrarem seus sistemas de produção em pastagens, assim como ocorre na Nova Zelândia, alinhando sua política de pagamento ao sistema.

No entanto, a produção leiteira no Sul do Chile é apenas semelhante à realidade da Nova Zelândia, mas, não são a mesma coisa. A Prolesur agora reconheceu que a produção sazonal também tem desvantagens, particularmente quando se trata de comercialização dos produtos e, portanto, o que pode pagar aos seus agricultores. Infelizmente esse entendimento chegou com atraso.

É evidente que os agricultores da Prolesur não estão nada felizes. No ano civil encerrado em 31 de dezembro de 2018, a oferta de leite para a Prolesur caiu 17,7%, apesar da produção chilena ter aumentado 1,9%. Ficou claro que muitos outros agricultores deixarão a Prolesur, e portanto, a Fonterra, assim que puderem Eles gostariam de se juntar à chilena Colun, uma cooperativa de laticínios que vem esmagando o mercado da Soprole.

Hoje a Cólun é a líder no Chile, mas, está com sua capacidade limitada, e tem uma lista de agricultores na lista de espera. Assim, sendo, os agricultores do Sul discutem a formação de sua própria cooperativa. Além disso, os proprietários minoritários da Prolesur estão tentando processar a Fonterra pela transferência de produtos para a Soprole, a preços que prejudicam seus interesses econômicos. Esse desafio legal tem potencial para causar prejuízos.

A Prolesur reconheceu, alguns anos atrás, que precisava investir na produção de queijos. Isso ocorreu na bacia norte da região, prejudicando a produção de leite em pó em Osorno, onde as fábricas passaram a ficar com capacidade ociosa.

Os problemas da Fonterra no Chile vão muito além da Prolesur. A irmã mais velha, Soprole, que incorpora a Prolseur em suas próprias contas, também está em declínio. Os dados de participação no mercado chileno, desde 2022, mostra que a Soprole mais Prolesur, juntas foram a número um em termos nacionais de oferta de leite. Mas, como o gráfico mostra, com altos e baixos, a tendência continua de queda, o que foi acentuado de 2015 para cá.  

Até 2018, os números publicados pela Fonterra, mostravam que tudo estava bem. Houve dividendos constantes na Nova Zelândia. Por muitos anos foi uma ótima vaca leiteira. No entanto, com alguma independência, os principais gerentes e diretores da Fonterra, saberiam que nem tudo estava bem. Uma correspondência de 2014, os agricultores chilenos tentaram denunciar à Fonterra e ao governo da Nova Zelândia que alguma coisa estava errada. Para resumir, os agricultores chilenos acusam a Fonterra de sobrevalorizar os resultados no Chile.

A Soprole publica relatórios contábeis anualmente, e o último foi para o ano civil de 2018. Os números mostram que, quando convertidos em dólares neozelandeses, a operação consolidada da Soprole para o calendário 2018 obteve lucro de NZ$ 55 milhões. No ano anterior eram NZ$ 65 milhões, e antes disso, NZ$ 70 milhões. Em 2015 NZ$ 80 milhões.

Atualmente, o balanço contábil mostra em dólar kiwi, cerca de NZ$ 940 milhões, e patrimônio é avaliado em NZ$ 700 milhões. É difícil argumentar que os lucros atuais são suficientes para justificar esses números. Mas, alguma coisa está errada, porque o valor real de venda não chega nem perto disso.

As marcas Soprole não são mais consideradas Premium no Chile. Alguns ativos deixaram de ser eficientes, pois pertencem a uma era anterior. E falta à Fonterra uma base confiável de fornecedores.

Juntando todas essas coisas e olhe para o futuro, sem olhar no espelho do retrovisor, e os ativos chilenos da Fonterra parecem irreais. Assim como em outros lugares do mundo, a Fonterra cavou um buraco bem profundo para si mesma. Teria sido muito mais fácil não postergar e encontrar saídas. E, o primeiro passo seria a Fonterra identificar o tamanho do buraco.

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