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Especiais Selectus nº 5704

Perspectivas agrícolas OCDE-FAO 2019-2028 – Leite e produtos lácteos

Produção/FAO – A produção mundial de leite deverá crescer 1,7% por ano nos próximos dez anos (atingindo 981 milhões de toneladas em 2028), ou seja, mais rápido do que a maior parte dos produtos agrícolas. Praticamente em todas as regiões do mundo, esse aumento deverá surgir principalmente pelo aumento da produtividade animal, mais do que o aumento do rebanho (Gráfico 7.3).

Fonte: FAO – Tradução livre: Terra Viva

Se as médias mundiais contradizem essa projeção, porque o crescimento efetivo (1,2% ao ano) é mais forte que a elevação da produtividade (0,4%), é porque o plantel aumenta mais rapidamente em países onde a produtividade é relativamente baixa.

Perspectivas agrícolas OCDE-FAO 2019-2028 – Leite e produtos lácteos

A Índia e o Paquistão são produtores de leite particularmente prolíficos. Eles deverão contar com mais da metade da elevação da produção mundial no decorrer dos próximos dez anos e assegurar mais de 30% da produção em 2028, essencialmente com rebanhos de algumas vacas e búfalas. A previsão é de que a produtividade continuará aumentando rapidamente e contribuíram com o maior crescimento da produção. Nesses dois países, a grande maioria da produção será consumida localmente, porque os produtos lácteos frescos raramente são exportados.

Na União Europeia, o segundo produtor mundial de leite, a produção deverá crescer mais lentamente do que a média mundial. A meio prazo, esse crescimento resultará em modesto aumento aumento da demanda interna (queijo, manteiga, creme e outros produtos), mas, também pelo crescimento da demanda mundial por produtos lácteos. O crescimento da produção passará pelo aumento da produtividade, estimada em 1,1% ao ano, nos próximos dez anos. Os plantéis leiteiros deverão cair, de novo, (-0,5% ao ano) depois de um aumento no início do período de projeção, devido à suspensão das quotas leiteiras. A produção europeia será assegurada por animais alimentados em pastagens e com outros alimentos. Por outro lado, uma parte crescente do leite produzido deverá ser orgânico: os rebanhos de produção de leite orgânico, atualmente representam mais de 10% das vacas da Áustria, Suécia, Letónia, Grécia e Dinamarca. Cerca de 3% da produção de leite da União Europeia procedem de fazendas orgânicas, com rendimentos menores, mas, que são beneficiadas com preços consideravelmente melhores.

É na América do Norte, onde a produção em pastagens é limitada e a alimentação dos animais está condicionada à rentabilidade, que a produção média por vaca deverá ser mais elevada (gráfico 7.4). Nos Estados Unidos e Canadá, os plantéis, no geral, permanecerão inalterados e o crescimento da produção ocorrerá em face de novas elevações na rentabilidade animal, que já são bem altas. Levando em conta que o mercado interno estará saturado, mas, com aumento na demanda por manteiga, os Estados Unidos exportará, principalmente, leite em pó desnatado.

Perspectivas agrícolas OCDE-FAO 2019-2028 – Leite e produtos lácteos

A Nova Zelândia é o país onde a produção de leite, que aumentou fortemente, recentemente, está fortemente ligada às exportações. O sistema se apoia, essencialmente, sobre pastagens e a rentabilidade animal é bem mais baixa do que na América do Norte e Europa. Uma gestão eficaz dos pastos e alimentação natural durante todo o ano, permite à Nova Zelândia ser competitiva. A falta de terras disponíveis e as restrições crescente em matéria de meio ambiente são os principais obstáculos para o crescimento. No entanto, uma reorientação do sistema de produção com a utilização de outros tipos de alimentos não está prevista.

Na África, a produção de leite deverá crescer em um ritmos sustentável, principalmente com a expansão dos rebanhos. A rentabilidade em geral, é baixa, mas o leite é sobretudo de cabra e de ovelha. A maioria das vacas, cabras e ovelhas pastam e são mais utilizadas para produção de carne e de tração, ou ainda como reserva patrimonial. No período estudado, em torno de um terço do rebanho mundial deverá estar no continente africano e fornecer cerca de 5% da produção total.

Menos de 30% da produção de leite será transformada em manteiga, queijo, leite desnatado ou integral em pó, ou lactosoro. A demanda direta por manteiga e queijo – sobretudo queijo – é considerável. Esses dois produtos representam, atualmente, uma grande parte do consumo do extrato seco do leite na Europa e na América do Norte. O comércio de leite em pó desnatado ou integral é florescente, e essa produção é sobretudo destinada à exportação. Esses dois produtos são utilizados no setor agroalimentar, principalmente em confeitaria, leites infantis e produtos de padaria.

De acordo com as projeções, somente a produção de manteiga crescerá a um ritmo maior (1,9% ao ano) que a produção mundial de leite. A produção de leite em pó desnatado deverá crescer 1,3% por ano, enquanto que o volume de queijo e de leite em pó integral registrarão alta de 1,2% ao ano. No caso do queijo, a queda será reflexo do mercado de alimentos da Europa e da América do Norte, onde se encontram seus principais pontos de venda.

Observação do tradutor: Neste trabalho a FAO dedicou um capítulo para a América do Sul e Caribe (ALC), que será traduzido posteriormente, no qual tem um pequeno parágrafo sobre a produção de produtos lácteos englobando os 34 países da região.

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