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Especiais Selectus nº 5685

Queijo egípcio pode não ser o mais antigo, mas, é o melhor para análise

Idade do queijo – O tempo melhora o sabor dos queijos, mas, não é por isso que está chamando a atenção o queijo descoberto em uma tumba Egípcia no último ano.

Fonte: Dairy Reporter – Tradução livre: Terra Viva

Acredita-se que seja o queijo sólido mais antigo já encontrado, tendo sido datado do século XIII a.C.

O túmulo de Ptahmes, prefeito da cidade de Memphis no Egito há mais de três milênios atrás, foi descoberto em 1885. Depois de ser perdido sob areias movediças, foi redescoberto em 2010, e os arqueólogos encontraram jarras quebradas no local alguns anos depois.

Um frasco continha massa esbranquiçada solidificada, bem como tecido de lona que poderia estar cobrindo o frasco ou usado para preservar seu conteúdo. O Dr. Enrico Greco e seus colegas queriam analisar a substância esbranquiçada para determinar sua identidade. Depois de dissolver a substância, os pesquisadores purificaram seus constituintes de proteínas e os analisaram com cromatografia e espectrometria de massa.  

Os peptídeos detectados por essas técnicas mostraram que a amostra era de um produto lácteo elaborado com leite de vaca misturado com leite de ovelha ou de cabra. As características do tecido de lona indicam que ele era adequado para conter um sólido, e a ausência de outros marcadores específicos levam à conclusão de que o produto lácteo era um queijo sólido.

Outros peptídeos da amostra sugerem que ele foi contaminado com Brucella Melitensis, a bactéria causadora de brucelose. Esta doença, potencialmente letal, se espalha dos animais para o ser humano, geralmente, ao ingerir lácteos não pasteurizados. A amostra apresenta as primeiras evidências biomoleculares relatadas da doença.

“Existem outras amostras de produtos lácteos na literatura, mas, não queijos sólidos em sentido estrito”, disse o pesquisador Greco, que hoje está na Universidade de Pequim. Informou ainda que não cheirou o queijo “curado”, pois, acredita que o odor tenha se perdido ao longo do tempo.

Não é o mais antigo, mas, é bom para estudo

O registro de fabricação de queijos é bem anterior a essa descoberta, no entanto, encontrar um queijo preservado é difícil. Arqueologistas encontraram coalhadas da Idade do Bronze em múmias na China, e publicaram no Journal of Archaeological Science em 2014.

Pesquisadores encontraram queijos chineses durante escavações no Cemitério Xiaohe, também conhecido como necrópolis Ordek, entre 2002 e 2004.

As múmias, com cerca de 3.800 anos de idade, foram enterradas com pedaços de queijo, presumivelmente para um lanche dos que partiram. Este queijo específico também era simples de fazer, nutritivo e de fácil digestão, segundo o estudo.

“Apesar de sua simplicidade, possuía as qualidades necessárias para incentivar a expansão econômica para criação de animais ruminantes na Eurásia Oriental”, escreveram os autores do documento.

Pesquisadores encontraram indícios de queijos desde o sexto milênio a.C., mas, amostras de queijos antigos são fracas. A maior das evidências foi baseada em gorduras residuais encontradas em fragmentos de cerâmica, mas, muitos desses traços se degradaram com o tempo, e a análise foi limitada. Isso faz com que as evidências de queijos antigos sejam circunstanciais, escreveram os cientistas.

A antiga necrópole foi descoberta em uma duna de areia localizada em 1934 em um leito de rio seco. Ela abrigava centenas de múmias enterradas em grandes caixões de madeira que se assemelhavam a barcos de cabeça para baixo, cobertos com couro de vaca que vedava a umidade. O ar seco e o solo salgado deixaram muitas múmias e seus acessórios extraordinariamente bem conservados.

Em outros lugares, vasos de cerâmicas com buracos mostram evidências de fabricação de queijo 7.400 anos atrás. Registros químicos de gordura do leite em potes perfurados usados como filtros fornecem pistas do início da fabricação de queijos, de acordo com uma equipe liderada pelo biogeoquímico, Richard Evershed, da Universidade de Bristol.

Similares aos coadores atuais de queijo, esses dispositivos – encontrados em antigas aldeias agrícolas da Polônia – separavam a coalhada do leite rica em gordura, do soro contendo lactose, relataram os cientistas.

Uma análise anterior conduzida pelo Prof. Evershed registrou ordenha de vaca 9.000 anos atrás, onde hoje é a Turquia, e evidências de produtos lácteos específicos daquela época.

Com essas novas descobertas, no entanto, os cientistas têm muito o que pesquisar, dada a natureza preservada do queijo, que revelou vários dos seus segredos. A partir daí, eles não apenas obterão uma visão de como o queijo era elaborado, mas, também terão um vislumbre dos gostos da sociedade de então.

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