Argentina – Os setores mais prejudicados com o acordo comercial
UE x Mercosul/AR – O Mercosul, dentro do acordo comercial negociado com a União Europeia (UE), concedeu uma cota anual de importação de queijos livre de tarifas. E estabeleceu também, cronogramas progressivos de eliminação de tarifas da importação para vinhos e azeite de oliva.
“A UE exporta mais produtos agrícolas do que importa. Temos interesse em conseguir acordos comerciais equilibrados nesse setor com outros países”, disse o presidente da Comissão Europeia, Juan Claude Juncker, em comunicado publicado no sábado.
“Creio que o acordo com o Mercosul é justo para os produtores agropecuários europeus. Protege nossos setores mais sensíveis com cotas e períodos de implementação. Ao mesmo tempo, protege nossas indicações geográficas e elimina, por exemplo, tarifas para o vinho e o azeite de oliva europeus”, acrescentou.
Setor lácteo – O setor lácteo europeu é muito mais competitivo do que o sul-americano. Uma mostra disso é que são os principais fornecedores de queijos para o Chile. Sem a proteção da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), monopolizarão boa parte do mercado brasileiro de queijos e leite em pó, em detrimento das remessas feitas pelo Uruguai e Argentina.

Parte da competitividade láctea europeia é baseada na eficiência das empresas de laticínios e indústrias comunitárias (muitos produtores, por exemplo, operam suas próprias fazendas, ou seja, não contratam pessoal). Mas, parte também se sustenta na base de subsídios.
“No setor lácteo as ajudas incluem intervenções públicas, subsídios para armazenamento de produtos, gestão voluntária da oferta de leite e compras estatais para distribuição pública. Medidas adicionais foram destinadas a produtores de pequena escala, produções extensivas, produções ambientalmente responsáveis, cooperação melhoria da qualidade do leite e valor agregado, capacitação em ferramentas financeiras e gestão de risco”, diz o último documento de políticas agropecuárias elaborado pela OCDE.
O acordo comercial firmado em 2017 entre a UE e o Canadá (CETA) estabeleceu em 17.700 toneladas a cota livre de tarifas para queijos europeus. A resposta do governo canadense diante dessa ameaça foi habilitar um programa de ajuda de 250 milhões de dólares canadenses para melhorar a competitividade das fazendas locais (focando na automação dos processos e robotização), e outros 100 milhões para que o setor industrial pudesse fazer a reconversão das linhas de produção.
Azeite – A UE é a principal produtora e exportadora de azeite de oliva do mundo. A Espanha, a Grécia e a Itália são os formadores de preços no mercado internacional do produto, além de contar com marcas reconhecidas internacionalmente.
O Brasil é o principal mercado para o azeite de oliva da Argentina. Sem a proteção da TEC, o azeite de oliva europeu ocupará boa parte do mercado brasileiro, em detrimento das vendas realizadas pela Argentina.
Vinho – O consumo interno de vinhos no mercado argentino vem caindo ano após ano. Os direitos de exportação e a redução das reintegrações dificultam a possibilidade de aumentar as vendas externas de forma substancial. As bodegas contam com estoques elevados de vinho em um ano em que a colheita de uva foi abundante.
A UE – principalmente, França, Espanha e Itália -, é a principal exportadora de vinhos do mundo. E a última coisa que a indústria de vinho da Argentina precisa na atual conjuntura é concorrência adicional.
De qualquer forma, para vinhos engarrafados, o acordo UE-Mercosul contempla um período de desgravação gradual por oito anos, enquanto para os espumantes foi estabelecida uma tarifa única pelo prazo de doze anos, a partir de quando será uma tarifa zero. E, pelo menos no caso da indústria vinícola, haverá prazo adequado para adaptação.
















