Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 5671

Argentina – O governo acredita que começou um longo ciclo positivo para o setor lácteo

Lácteos/AR – Os dados do sistema oficial de informações do setor lácteo – SIGLEA de maio são claros: o preço médio pago ao produtor chegou a 14,54 pesos, um impressionante aumento de 130% em relação a 12 meses atrás.

Fonte: Bichos de campo – Tradução livre: Terra Viva

Isso equivale a um valor quase nunca antes visto de US$ 0,32/litro, [R$ 1,23/litro]. Um sonho para os produtores. De três meses para cá os produtores começaram a ter sua atividade remunerada. Que essa tendência se mantenha.

Nesse contexto, o governo considera que estamos vivendo o início de um longo ciclo de crescimento para os laticínios, depois de dois anos, ou mais, de perdas.

“Ainda que nem todos os produtores estejam bem, o setor lácteo está bem. Estão criadas as condições para que o produtor possa ter uma recuperação”, arriscou Alejandro Sammartino, diretor nacional de Laticínios.

Este diagnóstico é muito diferente do que o preferido, habitualmente, pelos dirigentes das entidades que representam o setor. É certo que o preço ao produtor melhorou em alguns lugares nos últimos meses e que o setor voltou a ter rentabilidade (a relação leite/milho é uma das melhores da série histórica). Mas o setor privado acredita que seja somente “um veranico” que não irá durar muito. A suspeita é de que os preços começarão a cair assim que houver melhora na oferta de leite. A produção caiu 7,5% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2018.

Diante dessa posição pessimista (realista, diriam alguns), a agroindústria perdeu o otimismo. “O preço do leite está sensivelmente melhor. De acordo com o Observatório da Cadeia Láctea (OCLA), a atividade voltou a ser rentável”, assegurou o Secretário da Agroindústria, Luís Miguel Etchevehere. É verdade. Mas, de novo, não se sabe por quanto tempo.

O certo é que diante dos primeiros indicadores econômicos positivos para o setor lácteo, o governo se empenhou em destacar os acertos de suas políticas.

- Comemoraram que agora o setor conta com informação sistemática sobre os preços pagos ao produtor através da SIGLEA, onde são processados 8.300 notas mensais de faturamento para definir um valor real de mercado das operações realizadas pelas 322 indústrias. Segundo eles, isso gera certeza entre os produtores, que já tomam os valores oficiais como referência para realizar negociações.

- Avisaram que continuarão lutando contra a informalidade na cadeia láctea (estimada em 10%) e anteciparam que já está pronta uma resolução que estabelecerá um sistema eletrônico o setor lácteo, similar ao que existe para a carne, obrigando as indústrias a registrarem todas as suas operações, eletronicamente. O sistema entrará em vigor até o final do ano.

- E até justificaram as poucas operações realizadas no mercado de futuros do leite, que foi lançado no início de 2019. Etchevehere comparou. Disse que as vendas a termo de grãos também demoraram alguns anos.

E porque os responsáveis pela política leiteira acreditam que não haverá nova queda no preço ao produtor, antes mesmo de uma recuperação da produção de leite? Esse foi o principal ponto do debate. Uns veem a queda na oferta, e outros o crescimento da demanda do mercado exportador.

Os números mostram que houve crescimento de 37% nas exportações, em 2018, e já absorvem 20% do leite produzido, mas, partindo das base muito baixas de 2017. No primeiro trimestre de 2019 os embarques continuaram crescendo 9% em volume.

Sammartino acredita que a decisão do governo de não interferir nas exportações será um dado importante para a manutenção dos preços e diminuir a tradicional sazonalidade da atividade, que provoca queda acentuada dos preços na primavera.

Os dados oficiais, dizem que a produção de leite finalmente poderá reverter a queda dos primeiros meses e fechar 2019, com até 2% acima do volume verificado no ano anterior. Em 2018 a Argentina produziu 10.630 milhões de litros de leite. Por enquanto (entre janeiro e abril) a produção foi de 3.015 milhões. A secretaria de governo acredita que poderá terminar 2019 com 10.800 milhões.

A aposta é de que as exportações compensem o desequilíbrio nas demais variáveis (o consumo interno de lácteos caiu quase 15%) e o preço ao produtor continue remunerando o agricultor. Sammartino destaca que atualmente 75 países compram produtos lácteos da Argentina (com destaque para Brasil, Argélia, Chile e Rússia) e que esperam abrir pelo menos 100 mercados até 2025 (espera abrir mais a China, e habilitar o Japão, a Coreia e o México). A participação das exportações sobre o total da produção, que hoje é de 22%, poderá chegar a 30%.

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients