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Especiais Selectus nº 5669

Composição do rebanho equilibrada eleva margem ao produtor de leite

Custos leite - A composição do rebanho tem maior influência nas margens da atividade do que a maioria dos produtores de leite acredita. Para avaliar esse indicador é necessário dividir a quantidade de vacas em lactação pelo número total de cabeças do rebanho.

Fonte: Cepea

O resultado é o percentual de vacas em lactação no rebanho, um indicador da proporção de animais que geram receita. Na “média Brasil”, que considera os estados de BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP, as vacas em lactação representam 34,7% do rebanho total, de acordo com dados do projeto Campo Futuro. Em propriedades eficientes, esse indicador está em torno de 45%. Para fins de comparação, as propriedades típicas de São José do Cedro (SC) e de Palmeira das Missões (RS) foram selecionadas para avaliar a influência da composição do rebanho nas margens da atividade. Elas apresentam sistemas produtivos semelhantes (mão de obra familiar e alimentação do rebanho com pastagem perene de Tifton, pastagem de inverno de aveia e azevém, silagem de milho, concentrado e suplementação mineral) e produções diárias similares (300 L/dia em São José do Cedro e 400 L/dia em Palmeira das Missões). Mesmo com sistemas de produção muito parecidos, o resultado financeiro dessas propriedades típicas é distinto. Enquanto a margem líquida por hectare de São José do Cedro é de R$ 2.025,03, a de Palmeira das Missões é negativa, em R$ 1.803,76. Um dos fatores que está associado a esse resultado é a composição do rebanho das propriedades. No exemplo catarinense, a participação das vacas em lactação no total do rebanho é de 44,6%, contra 37,1% na propriedade gaúcha. O quadro encontrado em Palmeira das Missões corrobora o que, em geral, se vê na maioria das propriedades de leite do Brasil: rebanhos inchados com alta participação de vacas secas e animais em recria. Trata-se de um reflexo da mentalidade, ainda muito presente, de que os animais em recria são uma reserva de capital que provém liquidez em momentos de aperto financeiro. Escapa nessa visão o fato de que essas categorias estão consumindo recursos (como alimentação e mão de obra) que poderiam ser destinados às vacas em lactação, gerando receita para a atividade. Para reverter esse cenário, o produtor pode atuar em duas frentes. A primeira é melhorar os índices reprodutivos do rebanho, principalmente o intervalo entre partos, no intuito de diminuir o número de vacas secas. A segunda é comercializar animais jovens, o que reduz os custos e contribui para aumentar a receita, pela própria comercialização em si e pelo possível aumento do aporte nutricional às vacas em lactação, visando incremento na produção de leite. Dessa maneira, busca-se a composição das propriedades eficientes, com 45% de vacas em lactação no rebanho, equilibrando a proporção entre animais que geram receita e aqueles que só geram custos.

Composição do rebanho equilibrada eleva margem ao produtor de leite

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