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Especiais Selectus nº 5621

Preço do leite na indústria pode segurar alta ao produtor

Preço do leite - O ano começou com cenário positivo em termos de preço do leite para os produtores brasileiros. O preço real pago ao produtor, que já havia iniciado o ano R$0,18/litro acima do valor de janeiro de 2018, teve uma valorização de 10% em fevereiro sobre o mês anterior.

Fonte: Embrapa

Preço do leite na indústria pode segurar alta ao produtor

Em anos anteriores, valorizações nesse patamar somente haviam ocorrido no auge da entressafra nacional, entre os meses de junho e julho. Dessa forma, a média dos preços reais, nesses dois primeiros meses de 2019, foi a maior desde 2011, sendo 19% superior aos valores de 2018. Outro fato positivo para os produtores é que o custo de produção, apesar de ainda elevado, está em queda desde novembro de 2018, conforme o ICPLeite/Embrapa. Nesse período, o custo caiu 2,6% puxado pela redução nas despesas com alimentação do rebanho e energia, que foram os grupos que mais pressionaram o custo para cima ao longo de 2018. Com isso, a relação de preços leite/concentrado vem melhorando para o pecuarista. Em fevereiro de 2018 eram necessários 42 litros de leite para aquisição de uma saca de 60Kg de concentrado, enquanto que em fevereiro desse ano foram precisos somente 33 litros, uma queda de 21%. Os preços do leite no atacado e no varejo também iniciaram o ano em patamares superiores à 2018. No varejo, o leite UHT apresentou aumentos em janeiro (+ 2,1%) e fevereiro (+ 2,4%), na média nacional. No atacado, o leite UHT no mercado diário de São Paulo, apresentou grande alta de dezembro até meados de janeiro, quando saltou de R$2,00 para R$2,47. Entretanto, desde então, os preços estão praticamente estagnados. Na mesma linha, o preço do leite spot em São Paulo cresceu 22% de janeiro até o final de fevereiro. Porém, esse movimento de alta já perdeu força e os preços no spot já recuaram. Na balança comercial, o volume de importação foi elevado nos dois primeiros meses de 2019, ficando cerca de 64% superiores aos observados em janeiro e fevereiro de 2018. Destaque para o leite em pó, manteiga e queijos. Já as exportações estão com valores próximos aos registrados no mesmo período de 2018. Apesar do preço valorizado do leite no mercado interno, um fator que pode ajudar a segurar o ritmo das importações nos próximos meses é a recente valorização dos preços internacionais. Na Oceania, o leite em pó integral saltou de US$2.705/t no início de janeiro para US$3.317/t no último leilão de março, alta de 23%. Essa valorização está relacionada aos movimentos de oferta e demanda no mercado mundial. Enquanto os principais países produtores vêm enfrentando problemas na produção, com redução na oferta de leite, a demanda mundial está aquecida, principalmente com a retomada das compras da China. Com esse cenário, o mercado futuro do Global Dairy Trade (GDT) indica que essa valorização deve se manter ao longo desse primeiro semestre. Para os próximos meses no mercado interno, a expectativa é de custo de produção mais baixo, principalmente pelas sinalizações de redução nos preços de milho e farelo de soja. Já para os preços do leite pagos ao produtor as sinalizações são de que as cotações já estão próximas do teto, apesar de ser um período típico de valorização com o final da safra. Os sinais de alerta para os produtores vêm do atacado e do leite spot, que conforme destacado anteriormente, não estão conseguindo repassar os aumentos nesse período recente. Novos aumentos ao produtor serão dependentes do repasse da indústria para o varejista e deste ao consumidor final. A questão é que a indústria não está conseguindo realizar tal repasse, ficando com margens bem prejudicadas em derivados tradicionais como UHT, muçarela e leite em pó. Além disso, é importante salientar que o ambiente macroeconômico brasileiro mostra-se bastante incerto, fazendo com que as projeções de crescimento do PIB estejam sendo revisadas frequentemente para baixo e já sinalizam um crescimento de apenas 2% em 2019.

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