Produtividade do trabalho fica estagnada em 2018
Produtividade do trabalho - A recente divulgação, por parte do IBGE, das Contas Nacionais Trimestrais e dos dados da Pnad Contínua, permitiu o cálculo da taxa de crescimento da produtividade trimestral por hora trabalhada, acumulada em quatro trimestres, para o agregado da economia e para os grandes setores (agropecuária, indústria e serviços), desde o quarto trimestre de 2013 até o quarto trimestre de 2018.
O Gráfico 1 mostra a evolução da taxa de crescimento da produtividade por hora trabalhada para o agregado da economia. Os números assinalados no gráfico indicam as taxas de crescimento no quarto trimestre de cada ano, acumuladas em quatro trimestres, que correspondem às taxas de crescimento anuais. Podemos notar que a taxa de crescimento da produtividade agregada ficou estável (crescimento de 0%) no último trimestre de 2018. Este resultado está bem abaixo do observado no último trimestre de 2017, que apresentou uma alta de 1%.
Gráfico 1: Taxa de crescimento da produtividade agregada: 4º trimestre de 2013 até o 4º trimestre de 2018 (por hora trabalhada - em % e acumulado em quatro trimestres) – Brasil

Fonte: Elaboração do IBRE com base nas Contas Nacionais Trimestrais e Pnad Contínua - IBGE
Vale destacar que, por trás desse comportamento da produtividade agregada, existe grande heterogeneidade na trajetória das produtividades setoriais. A Tabela 1 mostra o comportamento da taxa de crescimento da produtividade por horas trabalhadas, acumulada em quatro trimestres, para o agregado da economia e para os três grandes setores: agropecuária, indústria e serviços.
Tabela 1: Taxa de crescimento da produtividade agregada e dos grandes setores: 4º trimestre de 2013 até o 4º trimestre de 2018 (por hora trabalhada - em % e acumulado em quatro trimestres) – Brasil

Os dados da Tabela 1 mostram que a taxa de crescimento da produtividade da economia brasileira por hora trabalhada apresentou forte desaceleração entre o quarto trimestre de 2013 e o primeiro trimestre de 2016, período ao longo do qual passou de alta de 2,2% para queda de 2,5%. Neste mesmo período, a taxa de crescimento da produtividade da agropecuária teve redução do crescimento de 11,2% para 0,6%; na indústria, a expansão de 2,1% transformou-se em queda de 0,8% e, no setor de serviços, o crescimento de 1,3% foi revertido para uma redução de 3,4%.
Nos trimestres seguintes, houve uma retomada gradual da taxa de crescimento da produtividade agregada, que atingiu 1,0% no quarto trimestre de 2017. Ao longo deste período, também houve melhora do crescimento setorial. Enquanto a taxa de crescimento da produtividade da agropecuária atingiu 18,9% no quarto trimestre de 2017, a indústria teve elevação de 1,8%. No setor de serviços, a queda de produtividade diminuiu para 0,9%.
No entanto, entre o quarto trimestre de 2017 e o quarto trimestre de 2018 houve desaceleração do crescimento da produtividade agregada para 0,0%. Ao longo deste período, também houve forte desaceleração do crescimento da produtividade por hora trabalhada na agropecuária para 1,1%, e redução do crescimento da produtividade da indústria para 1,3%. A produtividade do setor de serviços manteve-se em queda, embora um pouco menor (-0,6% no quarto trimestre de 2018).
A baixa taxa de crescimento da produtividade agregada nos últimos anos decorre principalmente do fraco desempenho da produtividade do setor de serviços, que concentra cerca de 70% da alocação setorial de horas trabalhadas no país, e que consistentemente tem apresentado taxas negativas de crescimento desde o terceiro trimestre de 2014.
Como estamos analisando a taxa de crescimento da produtividade do trabalho acumulada em quatro trimestres, podemos considerar a taxa no quarto trimestre de cada ano como sendo aquela que representa a taxa de crescimento do ano em questão. A Tabela 2 mostra um resumo da taxa de crescimento da produtividade agregada e setorial, por horas trabalhadas, para o período entre 2013 e 2018.
Tabela 2: Taxa de crescimento da produtividade agregada e dos grandes setores (por hora trabalhada - em %) – Brasil

Como mostra a Tabela 2, embora o valor adicionado agregado tenha tido crescimento praticamente igual em 2017 e 2018, o comportamento da produtividade foi bem diferente, com aumento de 1% em 2017 e estagnação em 2018. A diferença se deve ao fato de que, enquanto em 2017 as horas trabalhadas ficaram praticamente estáveis, em 2018 elas aumentaram à mesma taxa que o valor adicionado.
Também vale ressaltar que, embora o crescimento do valor adicionado do setor de serviços em 2018 (1,3%) tenha sido superior ao da indústria (0,6%) e ao da agropecuária (0,1%), a produtividade de serviços teve queda neste ano (-0,6%), ao passo que a indústria e a agropecuária tiveram crescimento positivo da produtividade (1,3% e 1,1%, respectivamente). Isto decorre do fato de que, enquanto os serviços tiveram aumento expressivo das horas trabalhadas em 2018, indústria e agropecuária tiveram redução das horas trabalhadas.
















