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Especiais Selectus nº 5601

Canadá – Os lácteos ficam fora do “Guia da Boa Alimentação”

Lácteos/Canadá – Os produtores de leite do Canadá levaram um novo golpe com o “Guia da Boa Alimentação” lançado recentemente, deixando os lácteos fora da lista de alimentos recomendados e aconselhando a redução do consumo de carne.

Fonte: Dairy Global – Tradução livre: www.terraviva.com.br

O recente Guia Alimentar do Canadá, atualizado depois de 12 anos, “incentiva o consumidor a “ingerir muitos vegetais e frutas, alimentos integrais e ricos em proteínas, provenientes de vegetais”.

As pesquisas continuam confirmando que as proteínas do leite estão classificadas como a de mais alta qualidade disponível, e que os benefícios nutricionais dos lácteos vão muito além do teor de proteína.

Este é o golpe mais recente para os produtores de leite do Canadá, que ainda estão se recuperando dos efeitos da decisão do governo de concordar com o acordo comercial USMCA, [um substituto da ALCA], com os EUA, que permite aos agricultores norte-americanos de terem acesso a 3,6% do mercado de lácteos do Canadá.

Preocupação da agroindústria

Elaborado em Ottawa, o guia revisou drasticamente as recomendações aos consumidores canadenses, direcionando-os mais para dietas à base de vegetais, e aconselhando distância de carne e laticínios. O guia diz “escolher alimentos com gorduras saudáveis em substituição à gordura saturada” e “limitar o consumo de alimentos altamente processados”. Se a escolha recair sobre eles, que sejam de consumo pouco frequente e em pequenas quantidades.

“Por mais de 40 anos o guia aconselha os consumidores a focarem sua dieta em quatro grupos diferentes de alimentos. É uma publicação do governo federal, mas, inquietou a agroindústria. No novo guia os quatro grupos de alimentos desapareceram, não aparecem seções para carne e laticínios, ou porções reduzidas.

Canadá – Os lácteos ficam fora do “Guia da Boa Alimentação”

Em vez disso, o guia mostra a imagem de um prato, metade dele coberto com frutas e legumes, e a outra metade dividida em grãos integrais e “proteínas”, uma nova categoria que mistura carne, laticínios, alimentos de origem vegetal, como grão de bico e tofu.

Não tem base nas evidências mais recentes

A Ministra da Saúde do Canadá, Ginette Petitpas Taylor, disse: “Queremos garantir que os canadenses tenham o acesso às melhores informações com o guia de alimentos, uma informação baseada na ciência, uma ciência não influenciada pela indústria”.

No entanto, a associação Dairy Farmers of Canada (DFC) disse que assim a preocupação só aumenta, porque o guia alimentar atualizado não reflete as evidências científicas mais recentes já divulgadas e ressalta que as inúmeras pesquisas demonstram que os produtos lácteos com vários teores de gordura fazem parte de uma dieta saudável. Isabelle Neiderer, diretora de nutrição e pesquisa da DFC, disse: “Embora o guia de alimentos tenha mudado, os lácteos continuam a desempenhar um papel valioso para ajudar os canadenses a tomarem decisões sobre uma alimentação diária saudável. “A evidência científica corrobora com os benefícios nutricionais dos produtos lácteos na promoção de ossos saudáveis e prevenção de doenças crônicas. Inclusive as atuais pesquisam não recomendam o contínuo foco em produtos lácteos com baixos teores de gordura, uma vez que não foram associados produtos lácteos integrais a efeitos prejudiciais à saúde, e podem mesmo, trazer benefícios”, disse ela.  

Importantes nutrientes do leite

A DFC acrescenta que as pesquisas continuam confirmando que as proteínas do leite estão entre as de maior qualidade e disponibilidade, e, os benefícios nutricionais dos produtos lácteos vão muito além do teor de proteína. Destacou que os laticínios são fontes chaves de 6 a 8 nutrientes que fazem falta à maioria dos canadenses, principalmente cálcio, magnésio, zinco, vitamina A, vitamina D e potássio.

Representantes da indústria de carne, no entanto, negam que o guia recomenda menos consumo de carne. Mary Ann Binnie, consultora de nutrição do Conselho Canadense de Carne disse “que está havendo má interpretação. Eles estão incentivando a proteína vegetal, mas, não à custa da carne”.

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