O que se pode esperar do mercado do leite para 2019
Mercado do leite - O ano de 2018 terminou com o produtor recebendo preços mais altos pelo leite que no final de 2017. No último mês, o produtor recebeu R$1,34 por litro de leite, enquanto que em dezembro de 2017 o valor recebido foi de R$1,10.
Entretanto, como os preços no primeiro semestre estavam baixos e o custo de produção subiu muito ao longo de 2018, na média do ano, o preço real, deflacionado pelo ICPLeite/Embrapa, foi menor do que em 2017. Considerando os últimos 10 anos, o preço real médio de 2018 de R$1,42 por litro foi maior apenas que nos anos de 2012 e 2015 (Figura 1). Um outro gargalo de 2018 foi o comportamento do consumo que acabou segurando incrementos de preços no varejo e, consequentemente, nos demais elos da cadeia produtiva. O custo de produção, apesar de algumas reduções pontuais, apresentou comportamento de alta durante todo o ano, com elevação de 10,5% ao final de 2018, segundo o ICPLeite/Embrapa. Boa parte desse resultado pode ser creditado às elevações de preços do milho e do farelo de soja, que apresentaram aumento de 26% e 29%, na média do ano, respectivamente. Com isso, a relação de troca leite/concentrado piorou em 2018 para o pecuarista. Em 2018 foram necessários, em média, 38 litros de leite para aquisição de uma saca de 60Kg de concentrado ante 32 litros em 2017. A balança comercial de leite e derivados fechou 2018 com mais um déficit. As importações superaram as exportações em US$427,4 milhões, o equivalente a 1,123 bilhão de litros de leite (aproximadamente 4,6% da produção nacional inspecionada). O déficit foi um pouco menor que o registrado em 2017. No primeiro semestre de 2018, as importações ficaram abaixo dos valores internalizados em 2017, quando o preço do leite nacional estava baixo e os preços internacionais do leite em pó integral estavam próximos a US$3.200/t. Essa situação inverteu-se no segundo semestre de 2018 com as importações mensais superando os valores de 2017. Nesse período, os preços internos valorizaram ao mesmo tempo que o preço internacional caiu expressivamente, ficando na média, em US$2.782/t. Já as exportações fecharam o ano 48,2% menores em relação a 2017, gerando uma receita total de US$58,3 milhões. As principais reduções nas exportações foram registradas no leite em pó, leite condensado e leite modificado. O ano de 2019 inicia com preços do leite no mercado interno maiores que no mesmo período de 2018 e com uma relação oferta e demanda de leite mais ajustada. No mercado de grãos, as sinalizações também são positivas. Para o milho, a expectativa é de recuperação da produção, após a quebra de safra registrada em 2018. Com a entrada da safra de verão a tendência é de preços menores que os praticados em 2018, conforme as cotações recentes observadas no mercado futuro. Para soja, as estimativas também indicam uma boa safra. Assim, espera-se uma redução nos custos de produção do leite ao longo do ano puxada pelo concentrado. No cenário macroeconômico, o crescimento previsto do PIB de 2,5%, com inflação controlada na casa dos 4% e taxa de câmbio mais estável, são fatores positivos que tendem a estimular o consumo de lácteos, que vem patinando nos últimos anos. Um ponto de alerta é que os preços internacionais na Oceania devem continuar abaixo dos US$3.000/t, pelo menos até o meio do ano, conforme os contratos do mercado futuro da Nova Zelândia. Esse preço internacional, associado ao preço do produto nacional mais valorizado aumenta a competitividade do produto importado. Entretanto, vale destacar diversas incertezas neste cenário traçado, que incluem o ambiente político e atuação do novo governo, a reação da economia principalmente em termos de emprego e renda, a influência do clima sobre a safra de grãos e fatores externos como a demanda chinesa e os preços internacionais de lácteos, além da guerra comercial entre Estados Unidos e China, entre outras.

















