Argentina – o melhor para o setor lácteo ainda não está por vir
Produção/AR – A Secretaria de Agroindústria da Argentina assegura que o fechamento de fazendas leiteiras, ao ritmo de quase duas por dia nos primeiros nove meses do ano, está relacionado à falta de sucessão familiar do negócio.
Ainda que essa possa ser uma das causas, similar ao que ocorre em outras partes do mundo, o setor produtivo adverte que de nenhuma maneira é a principal razão pela qual entre janeiro e setembro 600 estabelecimentos leiteiros desapareceram. A falta de rentabilidade é o que obriga o produtor de leite vender suas vacas e fechar as salas de ordenha. As inundações do outono passado e a desvalorização cambial foram determinantes para que os produtores de leite continuem perdendo dinheiro.
Os modelos de intensificação, que ganharam terreno nos últimos anos, foram os que mais sofreram o impacto com a queda no valor relativo do leite. O aumento do milho, que absorveu 100% da desvalorização, fez com que os números da produção da matéria-prima tenham ficado no vermelho.
Perdas
Com o pagamento de novembro, é possível que alguns produtores tenham recebido até nove pesos por litro de leite produzido. É o equivalente a 1,63 quilos de milho. É uma situação melhor do que a de agosto, quando o poder de compra do leite dava para adquirir 1,5 quilos do cereal, mas, longe de aliviar as perdas acumuladas durante o ano. Sem financiamentos, a subsistência foi marcada por forte descapitalização e redução da atividade. Este ano, uma fazenda localizada em Ballesteros, com 600 vacas em ordenha no sistema de confinamento, e que produz 12.600 litros de leite por hectare, perderá em torno de nove milhões de pesos.
Para o próximo ano, o cenário não é muito melhor; o proprietário projeta um valor do leite entre 12 e 13 pesos o litro, com um custo de produção que rondará 13,30 pesos. “É preciso pensar na fazendo dentro de um sistema de complementaridade com a agricultura e a produção de carne do contrário, é preciso fechar”, assegura o produtor.
Somente com as vacas, que têm custos dolarizados e que gera renda em pesos, a atividade parece inviável. Seu futuro, pelo menos dentro da atual conjuntura, depende de um sistema integrado de produção, que abranja a agricultura e a produção de carne. Alguns analistas se atrevem a prognosticar que no próximo ano a Argentina pode perder 20% das fazendas de leite.
Indústrias
As indústrias também não estão bem. Salvo algumas filiais estrangeiras, que compram leite, elaboram produtos e exportam com valor agregado, o resto busca adequar-se a um mercado interno frio e sem poder de compra.
A reconversão de La Serenísima, em grande parte forçada por sua crise extrema, e a SanCor também, é o reflexo de outras empresas do setor. Muitas diminuíram sua estrutura e isso favoreceu a concorrência. O leite que algumas deixaram de receber foi captado por outras, mas, tudo dentro de um cenário de subsistência e de margens que, no melhor dos casos, são mínimas.
O clima de verão será determinante para a produção de reservas para o resto do ano. Mas, não somente alcançará com um bom tempo. Também será necessário dispor de capital de giro para fazer investimentos. E o dinheiro é o insumo mais escasso para o setor lácteo.
















