Dia de Campo do Leite apresentou cinco estações técnicas para qualificar a produção leiteira
Dia de Campo do Leite - Durante toda a terça-feira, 13 de novembro, a Embrapa Clima Temperado recebeu estudantes, professores, produtores de leite e técnicos de diversos municípios da região sul do Estado para ver na prática recomendações da pesquisa na produção leiteira.
O 7º Dia de Campo do Leite, evento tradicional, contou com parceiros na área de mudas forrageiras e equipamentos a serem apresentados e comercializados durante o evento.
A atividade contou com cinco estações técnicas. A Vitrine de forrageiras apresentou as opções de forrageiras desenvolvidas pela Embrapa, a necessidade de seu planejamento para evitar os períodos de vazios forrageiros no campo (qual a demanda de comida necessária aos animais, quais plantas devem ser utilizadas para proporcionar melhor rendimento durante todo o ano, qual a época de produção ideal de cada forrageira). Também foram apresentadas as vantagens de utilização da régua de manejo forrageiro, a BRS Sul, a multiplicação de mudas, fertilização e análise de solo e ressemeadura das espécies anuais.
A estação dedicada a Silagem do Capim Elefante foi indicada como alternativa de alimentação nos períodos de vazios de pastagens, destacando as características da BRS Kurumi e BRS Capiaçu, sua produção, silagem e o uso de inoculantes na ensilagem dessas espécies forrageiras. "Uma das vantagens do Capim Elefante é o preço, pois apesar de apresentar custo de implementação semelhante ao milho, o capim possui maior janela de corte - com até quatro cortes por ano- e com isso rende mais através de um menor custo de produção", disse o pesquisador Jorge Schafhauser. Foram mostrados ainda os seus elevados níveis de nutrientes como proteína, obtendo significativo desempenho produtivos dos animais ao receberem essa base alimentar.
Reconhecer e evitar os riscos são práticas essenciais para a produção leiteira. Esta abordagem foi tratada na estação da Segurança do Leite, onde foram mostrados a saúde única na cadeia e os seus principais perigos relacionados à saúde do leite e quais soluções que podem ser praticadas para evitá-los. Os perigos abordados na estação foram: perigos químicos (como medicamentos, resíduos e ferrugens) que podem ser evitados respeitando, por exemplo, com avaliação médica veterinária regular e respeito ao período de carência dos animais na vacinação; além disso, o produtor deve estar atento aos cuidados com os produtos de limpeza utilizados na produção que devem ser específicos para o uso no local. Já o perigo biológico foi destacado pela presença de microrganismo e pode ser evitado pela higienização e pasteurização do leite. Enquanto que o perigo físico (resíduos e pêlos dos animais) pode ser evitado com manutenção periódica de ordenha. As Boas Práticas Agropecuárias (BPAs) foram lembradas para contribuir com toda a cadeia produtiva.
A estação que tratou da Biossegurança e Saúde Única destacou a necessidade de cuidados que garantam a saúde animal, a humana e o meio ambiente ao falar das principais doenças do homem rural adquiridas pelo trabalho. Foram apresentados os ciclos epidemiológicos de transmissão da raiva, brucelose, leptospirose e tuberculose. Em cada uma dessas zoonoses foram identificados os agentes causadores e suas formas de prevenção, realizando recomendações especiais para integridade do homem, do rebanho leiteiro e do produto-leite. "O Rio Grande do Sul resgistra cerca de 1% de casos de tuberculose e 0,5% de casos de brucelose em bovinos de leit", informou a pesquisadora Lígia Pegoraro.
O último tema abordado no Dia de Campo foi o Uso da água nas unidades de produção de leite.Segundo a pesquisadora Lilian Winckler a disponibilidade da água é importante em dois aspectos: a quantidade e a qualidade oferecida. "A água deve ser potável e a colocação dos bebedouros próximos da sala de ordenha, áreas de descanso, piquetes ou nos pastos, tem proporcionado ganhos em torno de 5% na produção de leite", diz Winckler. Além disso, foi destacado que a água oferecida aos animais deve ser de qualidade, mas também àquela destinada à limpeza das instalações. Á agua também é um recurso para manter a sanidade do rebanho leiteiro. "Os bovinos dão preferência por beberem água em bebedouros, em comparação ao açude, apresentando mais de 29% de ganho de peso diário.
Para o professor da Escola Técnica Estadual de Canguçu (ETEC) , Antônio Maia, o dia de campo é uma oportunidade para que ele possa se atualizar sobre os assuntos relacionados à cadeia do leite, ele conta que a Embrapa é utilizada como referência em suas aulas: “sempre procuro trazer os alunos para o Dia de Campoda Embrapa porque é importante para aproximar o aluno e mostrar na prática o que é visto em aula”, disse Maia.
"Achei o Dia de Campo do Leite interessante principalmente às estações sobre Segurança do Leite porque a gente não se dá conta de alguns detalhes que passam despercebidos", disse o estudante da ETEC, André Piske.
Exposição de produtos da Embrapa e parceiros
Nesta edição duas empresas parceiras - uma na produção de mudas de forrageiras e batata-doce, a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra); e a outra, em utensílio para manejo de pastagens, a Polite-Polímeros e Tecnologia - que desenvolvem tecnologias em conjunto com a Unidade de pesquisas, vieram demonstrar o uso dos produtos da pesquisa agropecuária junto ao público de interesse.
A representante do Departamento Agroflorestal da Afubra, Kátia Luiza, trouxe mudas para serem comercializadas. As forrageiras da Embrapa apresentadas foram BRS Capiaçu, BRS Kurumi e também mudas de batata-doce BRS Cuia, BRS Rubissol e BRS Amélia.
O representante da Polite, Alecsey Fernandes, apresentou a régua de manejo de pastagens, a BRS Sul,numa segunda versão, que atende especificamente as pastagens desenvolvidas na região Sul. "Viemos trazer a régua para que o produtor ao receber as recomendações do Dia de Campo na estração sobre o manejo de pastagens, já possa sair daqui com o utensílio. Pois, a maioria dos produtores usavam o olho ou a perna como medição, imprecisa, da entrada e saída da pastagem", explica Fernandes. A pesquisa indica que há um aumento de produtividade ao usar a régua em torno de duas arroubas/hectare/ano.
Ato de abertura do Dia de Campo
O 7º Dia de Campo do Leite contou com um ato de abertura feito pelo coordenador Rogério Dereti que falou ao público da necessidade do exercício da parceria, da troca de conhecimento e da solidariedade. O chefe-geral, Clenio Pillon, exaltou o trabalho feito pela equipe de pesquisa do Leite e da participação do público presente em buscar em conjunto a qualificação da produção leiteira para a região Sul do Estado. Participou também deste momento o presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do RS (Apil), Wlademir Dall Bosco, além de pesquisadores, professores de escolas técnicas e universidades, produtores rurais e extensionistas.
As caravanas presentes representaram os municípios de Arroio Grande, Canguçu, Morro Rendo, Pelotas, Santa Cruz do Sul, Santa Vitória do Palmar e São Lourenço do Sul.
















