Produtos lácteos fermentados são associados a baixo risco de doenças coronárias
Lácteos fermentados – Novos estudos sugerem que o consumo de produtos lácteos fermentados como queijo, iogurte, quark e kefir podem reduzir o risco de doenças coronárias. O estudo, da Universidade do Oeste da Finlândia, foi publicado no British Journal of Nutrition.
Ele também concluiu que um “elevadíssimo” consumo de produtos lácteos não fermentados está ligado ao aumento no risco de doenças cardíacas. O professor adjunto de epidemiologia e chefe da equipe de pesquisadores Jyrki Virtanen disse que os mecanismos biológicos que sustentam esta relação causal não são “completamente conhecidos”. No entanto “o processo de fermentação acrescenta, por exemplo, probióticos e vitamina K2 nos produtos, que podem ter efeitos benéficos à saúde. A vitamina K2 tem sido associada a menor risco de doenças cardiovasculares”, acrescentou o professor.
O andamento de “Fator de Risco de Doença Cardíaca Isquêmica de Kuopio” fornece mais evidências sobre os maiores benefícios para a saúde dos produtos lácteos fermentados em relação aos não fermentados. Com base em estudos anteriores, a pesquisa mostrou os efeitos positivos nos perfis lipídicos do sangue e no risco de doenças cardíacas dos produtos fermentados em relação aos outros lácteos não fermentados.
Participaram do estudo observacional finlandês, aproximadamente 2.000 homens que foram acompanhados por duas décadas. Seus hábitos alimentares foram avaliados no início da pesquisa, entre 1984 e 1989.
Os participantes foram divididos em grupos, de acordo com as diferentes quantidades de produtos lácteos que consumiam. Os pesquisadores compararam aqueles com o maior e menor consumo, e levaram em consideração vários fatores como estilo de vida e nutrição.
“Sabe-se que o uso de diferentes produtos lácteos mudou nas últimas décadas na Finlândia. Houve redução na ingestão de leite e coalhada, por exemplo, e aumento no consumo de queijo, iogurte e quark. A avaliação dietética é uma limitação do estudo nesses 20 anos. No entanto, avaliações parciais, com 11 anos, e os resultados ao final, foram muito semelhantes”, diz o estudo.
No acompanhamento desses 20 anos, 472 participantes sofreram com doenças cardíacas. O grupo com maior consumo de produtos lácteos fermentados com menos de 3,5% de gordura, tiveram 26% menos incidência de doenças coronarianas, quando comparado ao grupo de menor consumo. O produto lácteo fermentado com baixo teor de gordura mais utilizado pelos participantes do grupo foi a coalhada.
O consumo de produtos fermentados com alto teor de gordura, como o queijo, não foi associado a elevado risco de doenças cardiovasculares.
No entanto, os pesquisadores relataram que um elevadíssimo consumo de produto lácteo não fermentado pode estar associado com as doenças cardíacas. Leite foi o produto mais comumente usado nessa categoria, e foi definido como “elevadíssimo consumo” a ingestão diária de mais de 0,9 litros de leite por dia, ou acima de 900 ml. Menores níveis de consumo não foram associados a riscos elevados de doenças cardíacas.
O “Fator de Risco de Doença Cardíaca Isquêmica de Kuopio” conclui que o consumo de produtos lácteos fermentados com baixo teor de gordura reduz o risco de desenvolver doenças cardíacas. No entanto, Virtanen disse que é muito cedo para emitir conselhos com base nesses resultados.
“Embora existam dados de pesquisas anteriores que produtos lácteos fermentados tragam benefícios para a saúde, mais estudos precisam ser feitos porque ficaram muitas questões em aberto. São bons para a saúde todos os produtos lácteos fermentados? O teor de matéria gorda dos lácteos pode ter efeitos sobre a saúde?”
Mesmo que haja necessidade de novos estudos, algumas conclusões iniciais podem, no entanto, ser tiradas. “Com base em dados da pesquisa atual, os produtos lácteos parecem ter impactos diferentes sobre a saúde”, resumiu Virtanen.
















