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Negócios Selectus nº 5386

Porque não se encontra mais Coca-Cola e Fanta em muitas lojas Leclerc?

Ingredientes – Coca-Cola e Leclerc não chegaram a um acordo sobre os preços nas negociações comerciais para 2018. Nas prateleiras do maior distribuidor francês começa a faltar a marca de refrigerante mais conhecida do mundo. É preocupante, também, todas as outras marcas do grupo Coca-Cola.

Fonte: Le Figaro – Tradução livre: Terra Viva

“Qualquer que seja o poder de uma marca, ninguém pode ficar sem Coca-Cola ou Nutella”. Essa afirmação, regularmente repetida para ilustrar o poder dos gigantes do agronegócio, parece ter se tornado um protagonista nos últimos dias. Depois de duas semanas, as prateleiras de algumas lojas Leclerc, a maior marca de distribuição da França, com 21% do mercado, colocam mensagens: “Caros clientes, em razão de um desacordo com o fornecedor Coca-Cola que queria aumentar significativamente o preço de seus produtos em 2018, a E.Leclerc não aceitou os termos do fornecedor. Pedimos desculpas pela ruptura constatada desses produtos”. Os estoques de algumas lojas se esgotaram, e a central da Leclerc não está mais aceitando as encomendas da Coca-Cola, e os produtos começam faltar.

O preço no centro da discórdia

Um divórcio consumado entre os dois grupos. De fato, a Coca-Cola confirma que não conseguiu um acordo com o distribuidor francês, para as negociações comerciais de 2018, que foram encerradas em 1º de março, à meia-noite. A discórdia abrange a marca principal, Coca-Cola, e suas variações (Light, Zero...). Mas, também outras bebidas do grupo com mais de 500 marcas: Fanta, Spirte, Minute Maid, Finley ....

No dia 1º de março de cada ano, todas as marcas devem assinar seus contratos com os principais fornecedores.

Este não foi o caso entre a Coca-Cola European Partners (CCEP) a engarrafadora da marca de refrigerantes, e a Leclerc. Contatado, CCEP confirma, mas se recusa a dar detalhes sobre as razões da briga. Do lado Leclerc, que se notabilizou pelos preços baixos, a razão é clara: os preços. O mais antigo fabricante de refrigerantes do mundo estaria muito ganancioso.

Desde o fim do Estados Gerais da Alimentação visando reavaliar a cadeia alimentar, que o dono da marca, Michel-Édouard Leclerc afirma que concorda em aumentar preços de produtos agrícolas Made in France para apoiar o meio agrícola francês. Mas, ele não pretende dar nenhum presente financeiro para grandes multinacionais.

 

Frequentes faltas de referência

Esse tipo de desacordo não é o primeiro dentro da grande distribuição francesa, conhecida por suas relações complexas com seus fornecedores. Alguns anos atrás, todas as marcas da Delpeyrat foram tiradas das prateleiras de um grande distribuidor francês por quase um ano, ao custo de quase um quarto de seu faturamento. A Lactalis também teve problemas com a Leclerc, em 2011, com a retirada de algumas de suas marcas mais importantes (Président, Lactel, Roquefort Société...).

Também a Nestlé teve rejeições parciais com o Intermarché nas últimas negociações comerciais.

Retirar produtos das prateleiras por desacordo em relação aos preços não chega propriamente a ser ilegal. Mas, usar ameaça de suspensão de vendas como forma de iniciar a negociação comercial é “levando em conta as relações comerciais estáveis entre o fornecedor e distribuidor”, diz Hervé Lecaillon, advogado especializado em distribuição.

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