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Negócios Selectus nº 5351

Perspectiva de alta no consumo alimenta aposta de investidores no varejo

Consumo - O consumo das famílias será a grande alavanca da economia em 2018 e irá responder por quase a totalidade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de cerca de 3%, esperado para o ano. Com base nesse cenário, crescem as apostas em ações ligadas ao setor, em especial varejistas, que ainda têm grande potencial de valorização.

Fonte: Supermercado Moderno

Maior confiança dos consumidores, juros em patamares mais baixos, aumento da renda e melhora, mesmo que lenta, do mercado de trabalho contribuem para que os consumidores voltem a gastar. E, com a perspectiva de crescimento, os bancos também ficam mais confortáveis em conceder crédito, o que favorece a venda de produtos de maior valor.

Sandra Peres, analista-chefe da corretora Coinvalores, lembra que, após dois anos de consumo fraco, a demanda reprimida fará com que mais empresas consigam aumentar as suas vendas, melhorando seus resultados, o que se reflete na perspectiva de valorização das ações.

"As pessoas estão mais propensas a consumir, e as empresas também estão melhores. As companhias fizeram ajustes nos dois últimos anos e estão com custos e dívidas menores. Com a casa arrumada e a economia em crescimento, devem apresentar números melhores", explica Sandra, ressaltando que o fator de atenção para o setor, e para a economia de forma geral, será a corrida presidencial.

A analista lembra que dois fatores determinam a demanda pelo consumo. O primeiro é o conjunto de renda e emprego, que vem melhorando de forma gradual. O segundo é o crédito, que tem poder de ação mais rápido e favorece a venda de produtos de maior valor, como eletrônicos e eletrodomésticos.

Por isso, as empresas que atuam nesse setor estão entre as favoritas — ainda no ano passado, as ações do Magazine Luiza lideraram os ganhos do Ibovespa, com alta superior a 300%. A empresa deve continuar a apresentar bons resultados, mas outras varejistas estão com potencial de valorização maior. Uma das indicações da Coinvalores são os papéis das Lojas Americanas. A expectativa é que o valor da ação chegue a R$ 21 em até 12 meses, um alta de 31,5%. Para as Lojas Renner, a projeção é que o papel atinja R$ 40 em fevereiro do ano que vem, o que representaria um ganho de 15,6%.

De alimentos a têxteis

O varejo de alimentos também deve ser beneficiado pelo cenário econômico. Carlos Soares, analista da corretora Magliano, lembra que, no ano passado, a margem dos supermercados ficou menor devido à supersafra de alimentos, o que não deve se repetir este ano. Ele estima que, em 12 meses, as ações do Carrefour estejam valendo R$ 19,50, e as do Pão de Açúcar, R$ 88,40, o que representa um potencial de ganho de 30,3% e 23,9%, respectivamente.

"O Pão de Açúcar passou por uma transformação nos últimos anos, ao focar mais no varejo de alimentos e lançar mão de uma estratégia mais voltada para as lojas de atacarejo (Assaí). Esse mesmo tipo de estratégia foi adotado pelo Carrefour, na bandeira Atacadão, e tem dado bons resultados", explica Soares.

Giovana Scottini, analista da Eleven Financial, também vê espaço para ganhos em ações do varejo, uma vez que o segmento será beneficiado pelo cenário econômico, bem como por melhorias operacionais: "Algumas empresas começaram, com a queda dos juros, a reduzir a sua alavancagem financeira, gastando menos com a dívida. E, em um ambiente de consumo mais favorável, também vão ter ganhos operacionais".

Uma das apostas da Eleven é a Springs Global, dona da Santista e da Artex, do setor têxtil. A expectativa é de valorização de 66%, com a ação podendo chegar a R$ 18 em fevereiro do ano que vem. Outra recomendação de compra é a B2W — Submarino, Americanas.com e Shoptime —, cujos resultados devem começar a melhorar com um investimento maior em marketplace (venda de produtos de outras empresas) e menores custos operacionais. A analista espera que, em 12 meses, o papel chegue a R$ 26, o que representa um potencial de valorização de 16,9%.

Ainda no radar dos analistas estão os papéis de Via Varejo, Lojas Marisa e Hering. Nos últimos 12 meses, o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (antiga Bovespa), acumula alta de 24,6%. Já o Índice de Consumo, que inclui uma série de varejistas e outras empresas sensíveis à demanda do consumidor, subiu 22,6%. No ano, a diferença é ainda maior. O Ibovespa acumula alta de 10%, enquanto o Índice de Consumo cai 2%.

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