PIB da Argentina deve ter maior expansão em 6 anos
Argentina - Demorou, mas a economia argentina finalmente começa a dar sinais de recuperação sustentada. Com ajuda dos setores agropecuário, de construção e energia, a Argentina deve encerrar o ano com crescimento em torno de 2,7%. O crescimento do país em 2017 deve ser o maior em seis anos.
O Banco Mundial prevê expansão de 2,7%, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) fala em 2,4%. O governo espera crescimento de 3%, e consultorias trabalham com previsões de 2,5% a 3,5%.

Enquanto o setor agrícola pode crescer 8% em 2017, a expectativa é que o de construção chegue a 12%, e o de energia, a 4%. Em 2016, esses três setores tiveram desempenho ruim. O setor agrícola teve queda de 5,7% na produção, o de construção teve contração de 11%, e o de energia, de 1,4%, diz Fausto Spotorno, da consultoria Orlando Ferreres & Asociados. Dante Sica, presidente da consultoria Abeceb, argumenta que, no primeiro semestre deste ano, 80% das atividades produtivas estavam se recuperando, e hoje apresentam o ritmo esperado. A indústria também vem apoiando o crescimento. A produção industrial cresceu 6,6% em junho, na comparação interanual, após alta de 2,7% em maio. O bom desempenho foi puxado pelos setores de alimento, automotivo, químico, metalúrgico e papel, e ficou acima da expectativa de 3,4%. Em maio, a atividade econômica mensal teve alta de 3,3% em relação a abril, a maior em um ano e meio. A taxa de junho será divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censo (Indec). Matias Carugati, economista-chefe da consultoria Management & Fit, acrescenta à lista de motores da economia o consumo privado das famílias. "Comparando os sete primeiros meses de 2017 com o mesmo período do ano passado, vemos que o consumo das famílias caiu 1%. Mas julho mostra um crescimento de 9%, em comparação ao mesmo mês de 2016, e a tendência é esse ritmo continuar nos próximos três meses. Assim, o consumo deve encerrar o ano em alta", diz. O índice de confiança do consumidor da Universidade Torcuato di Tella, de Buenos Aires, cresceu de 42, em junho, para 42,5 em julho. Apesar da alta, está abaixo de 50, que separa o sentimento de otimismo do de pessimismo, que se mantém desde fevereiro de 2015. Já pesquisa da Management & Fit, feita entre 14 e 18 de agosto, indica que o índice de otimismo econômico subiu sete pontos em relação ao primeiro semestre, para 36,8. Apesar das boas notícias, economistas falam em três desafios que a economia argentina tem pela frente: aumentar as exportações, reduzir o gasto público e a inflação No ano passado, a Argentina praticamente não reduziu o gasto público em relação a 2015: de 39,6% do PIB passou para 39,5%. Neste ano, o gasto público deve atingir 38,4% do PIB, segundo previsões do FMI. Desse total, afirma Spotorno, 60% destinam-se à seguridade social. De junho de 2016 a junho deste ano, esses gastos aumentaram 40,5%, segundo a Associação Argentina de Orçamento e Administração Financeira Pública. As exportações, por sua vez, caíram 2,6% em junho, em relação ao mesmo mês do ano passado, após alta de 0,8% em maio. Spotorno diz que as exportações agrícolas sofreram com a queda dos preços e os manufaturados dependem muito da recuperação do Brasil, principal parceiro comercial da Argentina.
A inflação acima da meta é outra dor de cabeça para o governo Macri. A previsão é que a Argentina encerre 2017 com alta de 23,4% dos preços. A taxa está acima da meta de 17% estabelecida pelo Banco Central argentino. No entanto, a tendência é o BC manter a taxa de juros em 26,25%, segundo Carugati, pois teme deprimir a economia, num momento em que precisa de crescimento, e porque um aperto monetário não seria suficiente para reduzir uma inflação, causada em parte por reajuste nas tarifas de gás e eletricidade. "Não tem muito sentido o banco central subir a taxa de juros agora", avalia Carugati. "Não ganhará nada em termos de redução de inflação e pode comprometer a atividade econômica. É um risco que não convém correr."
















