Como a mudança climática pode induzir a escassez de alimentos
Insegurança alimentar - Enquanto as mudanças climáticas devem causar mais violência relacionada à escassez de alimentos, novas pesquisas sugerem que a força do governo de um país desempenha um papel vital na prevenção de revoltas.
"Um governo competente é ainda mais importante para manter a paz do que um bom tempo", disse Bear Braumoeller, coautor do estudo e professor associado de ciências políticas da Ohio State University.
Enquanto estudos anteriores examinaram o impacto dos padrões climáticos, induzidos pela mudança climática, à violência e ao aumento do perigo de revoltas em estados fracos ou falhos, este é o primeiro estudo a demonstrar que a combinação dos dois fatores de risco é ainda mais perigosa do que seria separadamente.
O Dr. Braumoeller conduziu o estudo com seus ex-estudantes de doutorado Benjamin Jones, agora na Universidade de Mississippi, e Eleonora Mattiacci, agora na Amherst College.
Os resultados aparecem no Journal of Peace Research.
"Nós começamos a ver que as mudanças climáticas não apenas colocarão os litorais debaixo d'água, mas também como causadoras de distúrbios alimentares em algumas partes do mundo", afirmou o Dr. Braumoeller.
O clima extremo, seca e inundações, poderia prejudicar a produção agrícola em alguns países, levando a escassez a lugares onde as pessoas estariam desesperadas por alimentos.
"A escassez de alimentos induzida pelo clima se tornará um problema cada vez maior e queremos entender quais países estão mais ameaçados", disse ele.
Os pesquisadores estimaram os efeitos da insegurança alimentar e da vulnerabilidade do estado na ocorrência de revoltas violentas na África nos anos de 1991 a 2011.
Os pesquisadores estabeleceram medidas variadas para medir tanto a violência aliada aos choques de alimentos, como aquela decorrente da vulnerabilidade dos países.
Para os choques alimentares causados por adversidades climáticas os pesquisadores analisaram precipitação, temperatura e, principalmente, os preços internacionais dos alimentos, incluindo aumentos repentinos.
"Nós consideramos que os países que importavam alimentos sofreram impactos dos choques climáticos ocorridos em outras partes do mundo, pelo repentino aumento de preços, mesmo que eles não tenham experimentado qualquer impacto meteorológico significativo", afirmou o Dr. Braumoeller.
Ao examinar a vulnerabilidade dos países, os pesquisadores analisaram uma série de fatores, incluindo a dependência do país da produção agrícola, suas importações, a força de suas instituições políticas e suas riquezas.
"Descobrimos que os países mais vulneráveis são aqueles que têm instituições políticas fracas, são relativamente pobres e dependem mais da agricultura", afirmou.
"Países menos vulneráveis podem lidar melhor com os problemas criados pelas secas ou oscilações dos preços dos alimentos".
Esses resultados sugerem maneiras pelas quais os Estados Unidos e a comunidade mundial podem responder a esses desafios.
Abordar as vulnerabilidades dos países é "crucial para romper o vínculo entre insegurança alimentar e violência", afirmou o Dr. Braumoeller.
Isso significa mais do que fornecer ajuda alimentar para compensar a escassez no curto prazo. Mais amplamente, os esforços devem ser focados no fortalecimento das instituições governamentais em países vulneráveis, ajudando-os a investir em políticas de "crescimento ecológico" com o objetivo de aumentar o crescimento econômico, ao mesmo tempo em que promovem a resiliência aos choques climáticos, disse ele. "Agora a ajuda ao desenvolvimento é importante e é provável que seja ainda mais no futuro à medida que procuramos formas para aumentar a resiliência climática", afirmou o Dr. Braumoeller.
















